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Segurança pública em SP: os desafios do governo estadual para além do policiamento

Segurança pública em SP: os desafios do governo estadual para além do policiamento
São Paulo Reprodução

A segurança pública figura, historicamente, como um dos pilares mais sensíveis e debatidos em qualquer pleito eleitoral em São Paulo. Com o avanço das tecnologias digitais, o papel do governo estadual tornou-se ainda mais complexo, exigindo uma gestão que equilibre o policiamento ostensivo tradicional com o combate sofisticado a crimes virtuais. Entender as atribuições do Executivo paulista é fundamental para que o eleitor avalie as propostas de quem pretende ocupar o Palácio dos Bandeirantes.

Estrutura e competências das forças estaduais

O governo do estado detém a responsabilidade direta sobre o comando das forças policiais que atuam no território paulista. A Polícia Militar é a linha de frente, encarregada do policiamento preventivo e ostensivo, essencial para a manutenção da ordem nas ruas. Em paralelo, a Polícia Civil concentra-se na investigação e na elucidação de crimes, contando com o suporte técnico da Polícia Técnico-Científica para a realização de perícias criminais.

Para sustentar essa estrutura, o orçamento estadual de 2026 destinou cerca de R$ 21 bilhões à Secretaria da Segurança Pública (SSP). Esse montante, que representa 5,5% do orçamento total, coloca a segurança como uma das três áreas prioritárias de investimento, atrás apenas de Saúde e Educação. A gestão desses recursos define a capacidade de resposta do Estado diante de uma criminalidade que se transforma rapidamente.

A ascensão dos crimes digitais e o roubo de celulares

O cenário atual de segurança em São Paulo é marcado pela migração de práticas criminosas para o ambiente virtual. A Divisão de Crimes Cibernéticos (Decciber), criada em 2020, tornou-se um braço estratégico da Polícia Civil. A unidade atua contra golpes de clonagem de voz, uso de inteligência artificial para fraudes financeiras e invasões de contas bancárias. Em 2025, a Decciber solucionou 353 casos, evidenciando a necessidade de uma polícia cada vez mais capacitada tecnologicamente.

Simultaneamente, o roubo e o furto de aparelhos celulares permanecem como um desafio crítico. Com 254 mil ocorrências registradas em 2025 — uma média de um aparelho subtraído a cada dois minutos —, o celular deixou de ser apenas um bem material para se tornar a porta de entrada para golpes bancários e o roubo de identidade. A integração entre o patrulhamento nas ruas e a inteligência de dados é apontada por especialistas como a chave para frear essa modalidade de crime.

O papel da tecnologia e a presença humana

Embora o monitoramento por câmeras e o uso de novas tecnologias sejam ferramentas poderosas, especialistas ressaltam que a tecnologia não substitui a presença humana. Ricardo Balestreri, ex-secretário nacional de Segurança Pública, defende que a eficiência policial depende de uma articulação inteligente. “A presença humana é imprescindível. As câmeras são importantes, mas só funcionam quando há uma presença policial articulada nos locais de maior incidência”, afirma.

Além do patrulhamento, o combate à violência exige um olhar atento para indicadores sociais. Apesar de São Paulo registrar uma das menores taxas de homicídio do país, com 7,8 vítimas a cada 100 mil habitantes, o aumento nos casos de feminicídio — que atingiram 141 registros no primeiro semestre de 2026 — impõe um desafio urgente. A ampliação de delegacias especializadas e o fortalecimento do atendimento às vítimas são medidas essenciais para romper ciclos de violência doméstica.

Para o M1 Metrópole, a segurança pública é um tema que exige acompanhamento constante. Continuaremos trazendo análises aprofundadas sobre as políticas estaduais, o impacto das decisões governamentais no cotidiano dos paulistas e os desdobramentos das estratégias de combate ao crime. Siga acompanhando nosso portal para se manter informado com credibilidade e contexto sobre os temas que moldam o futuro de São Paulo.

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