A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi detida na quinta-feira, 21 de maio de 2026, em uma ação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. A prisão, parte da Operação Vérnix, investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com foco especial em Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder da facção. Ao ser questionada pela TV Globo sobre sua possível participação no esquema de lavagem de dinheiro, Deolane afirmou que estava apenas “trabalhando”, reiterando que “a Justiça vai ser feita”.
A prisão preventiva de Deolane ocorreu em um condomínio de luxo em Alphaville, Barueri, na Grande São Paulo. As investigações a classificam como uma possível “caixa” do crime organizado, com duas contas bancárias em seu nome supostamente recebendo recursos de uma transportadora de cargas controlada pela cúpula do PCC. Inicialmente levada à Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital, a influenciadora foi transferida na manhã de sexta-feira, 22 de maio de 2026, para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado.
A Operação Vérnix e as Acusações Contra a Influenciadora
A Operação Vérnix é a terceira fase de uma ampla investigação que se aprofunda nas ramificações financeiras do PCC. Além de Deolane Bezerra, a ação expediu mandados de prisão preventiva contra outros alvos de peso, incluindo o próprio Marcola, seu irmão Alejandro Camacho, os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, e Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo. Marcola e Alejandro, já detidos em Brasília, foram notificados sobre as novas ordens de prisão.
A complexidade do esquema revelado pela operação inclui o bloqueio de 39 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões, e um montante expressivo de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros dos investigados. A polícia também realizou buscas e apreensões na residência de Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação de Deolane, e de um contador, buscando mais evidências que possam elucidar a teia de conexões financeiras. A defesa da advogada, em nota, reafirmou a inocência de Deolane, prometendo que “os fatos serão devidamente esclarecidos”.
O Início da Investigação: Bilhetes e a “Mulher da Transportadora”
A trama que culminou na Operação Vérnix teve início em 2019, com a apreensão de bilhetes e manuscritos por agentes da Polícia Penal na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Esse material, encontrado com dois presos, continha referências a ordens internas da facção, contatos com membros de alta hierarquia e menções a planos de ataques contra servidores públicos. A análise desses documentos gerou os primeiros inquéritos e a condenação dos dois indiciados, que foram transferidos para o sistema penitenciário federal.
Um detalhe crucial nos bilhetes, a menção a uma “mulher da transportadora” que estaria levantando endereços de agentes públicos, impulsionou o segundo inquérito. A partir daí, os investigadores identificaram Elidiane Saldanha Lopes Lemos como a mulher em questão, então sócia da transportadora Lopes Lemos. A empresa, sediada em Presidente Venceslau, foi rapidamente reconhecida como uma fachada para as atividades de lavagem de dinheiro do crime organizado. Elidiane já foi condenada, mas permanece foragida.
A Rede de Lavagem de Dinheiro e as Conexões com o PCC
Aprofundando as descobertas, a investigação deu origem à Operação Lado a Lado em 2021, que expôs movimentações financeiras incompatíveis e um crescimento patrimonial sem lastro econômico aparente. A transportadora Lopes Lemos foi confirmada como o braço financeiro da facção. A apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema, foi um divisor de águas, revelando detalhes da dinâmica de lavagem de dinheiro e, crucialmente, as suspeitas de repasses financeiros e conexões com uma influenciadora digital de grande projeção nacional.
As análises do aparelho de Ciro Cesar Lemos, que também está foragido, indicaram seu papel na compra de caminhões, pagamentos diversos, movimentação de recursos da cúpula do PCC e administração de patrimônio em nome de Marcola e Alejandro, consolidando sua posição como homem de confiança. Imagens de depósitos que favoreciam as contas de Deolane Bezerra Santos e Everton De Souza foram encontradas no celular. Para os investigadores, a projeção pública de Deolane, suas atividades empresariais formais e sua movimentação patrimonial eram utilizadas como “camadas de aparente legalidade” para dificultar o rastreamento da origem ilícita dos recursos. Essa complexa rede de conexões e transações levou à deflagração da Operação Vérnix.
Repercussão e Próximos Passos da Defesa e Justiça
A prisão de Deolane Bezerra gerou grande repercussão, considerando seu status de figura pública e sua recente viagem a Roma, na Itália, de onde retornou ao Brasil na quarta-feira, 20 de maio de 2026. Seu nome chegou a ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol, um alerta internacional para sua localização e prisão. A defesa da advogada tem a difícil tarefa de desvincular sua cliente das graves acusações de envolvimento com o PCC e de lavagem de dinheiro, em um cenário onde a polícia e o Ministério Público já apresentaram um vasto material probatório.
O caso promete desdobramentos significativos nos próximos meses, à medida que a justiça analisar as provas e os argumentos da defesa. A sociedade acompanha de perto, atenta às implicações de um caso que liga uma figura midiática a uma das maiores organizações criminosas do país. Para mais detalhes sobre esta e outras notícias que impactam o cenário nacional, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é trazer informações relevantes, atualizadas e contextualizadas, com a profundidade que você espera de um jornalismo sério e de qualidade. Acompanhe a cobertura completa.