Com as eleições de 2026 no horizonte, as primeiras rodadas de pesquisas eleitorais começam a desenhar um cenário político complexo e cheio de nuances nos estados, servindo como um termômetro para as disputas que se avizinham. Uma análise recente da Genial/Quaest, divulgada no final de abril, trouxe à tona as intenções de voto para os governos de dez estados, indicando desafios significativos para os partidos PT e PL, ao mesmo tempo em que aponta uma notável vantagem para aliados de Flávio Bolsonaro nos maiores colégios eleitorais do país.
Os levantamentos revelam que, dos dez estados pesquisados, em três deles há uma liderança de políticos alinhados com Flávio Bolsonaro – especificamente em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Em contrapartida, apoiadores do presidente Lula (PT) despontam à frente em dois estados: Rio de Janeiro e Pernambuco. O panorama se completa com três estados em situação de empate técnico (Bahia, Pará e Rio Grande do Sul), um com vantagem para um aliado de Ronaldo Caiado (PSD) em Goiás, e um cenário de candidaturas ainda indefinido no Ceará, que pode pender tanto para o lado lulista quanto para o bolsonarista, dependendo das articulações.
O tabuleiro eleitoral de 2026: Primeiros movimentos e incertezas
A corrida eleitoral de eleições 2026, embora distante, já mostra seus primeiros contornos, e as pesquisas estaduais são cruciais para entender a dinâmica dos blocos políticos. A aparente incerteza para o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Liberal (PL), duas das maiores forças políticas nacionais, não significa ausência de influência, mas sim uma estratégia que pode se apoiar mais fortemente em alianças e candidaturas de outros partidos. Este cenário inicial é vital para a formação de palanques e a definição de estratégias de campanha, moldando as narrativas que dominarão o debate público nos próximos meses.
A força dos aliados, em vez dos candidatos diretos dos partidos, pode ser uma tática para ampliar o alcance e a capilaridade das bases de apoio. A presença de figuras como Flávio Bolsonaro e Lula, mesmo que indiretamente, nos resultados estaduais, sublinha a polarização política que ainda permeia o Brasil e a importância de cada estado na construção de um projeto nacional.
O peso dos grandes colégios eleitorais: Onde os aliados de Flávio Bolsonaro despontam
A vantagem dos aliados de Flávio Bolsonaro em estados como São Paulo, Minas Gerais e Paraná é um dado relevante, considerando o peso eleitoral e econômico dessas regiões. Em São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) aparece numericamente atrás do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é um aliado de Flávio Bolsonaro, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Este resultado em um dos maiores colégios eleitorais do país é um indicativo da força do campo bolsonarista no estado.
No Paraná, o senador Sergio Moro, recém-filiado ao PL, lidera isoladamente as intenções de voto, consolidando a presença do partido e de seus aliados na região Sul. Em Minas Gerais, embora o empresário Flávio Roscoe (PL) apareça com baixa porcentagem, o cenário geral do estado contribui para a percepção de um avanço dos políticos afinados com a família Bolsonaro, mesmo que por meio de outras legendas.
A força do campo lulista: Cenários no Rio e Pernambuco
Do outro lado do espectro político, os aliados do presidente Lula demonstram força em estados estratégicos. No Rio de Janeiro, o atual prefeito Eduardo Paes (PSD) lidera as pesquisas. Embora o PSD tenha Ronaldo Caiado como um potencial candidato à presidência, a aliança local de Paes com o campo lulista reforça a capilaridade da base de apoio do PT. Em Pernambuco, João Campos (PSB) desponta isoladamente na liderança, um resultado que solidifica a influência do PSB e, por extensão, do bloco aliado a Lula na região Nordeste, tradicionalmente um bastião de apoio ao PT.
Disputas acirradas e indefinições: Bahia, Rio Grande do Sul, Pará e Ceará
A pesquisa Genial/Quaest também aponta para cenários de grande indefinição e disputas acirradas em outros estados. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) encontra-se em empate técnico com ACM Neto (União Brasil), indicando uma batalha eleitoral intensa em um dos estados mais populosos do Nordeste. No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) aparece numericamente atrás, mas em empate técnico com Juliana Brizola (PDT), sinalizando uma disputa aberta no Sul do país.
O Pará também apresenta um cenário com Mário Couto (PL) em terceiro lugar, enquanto Goiás mostra Wilder Morais (PL) em terceiro ou quarto, dependendo da configuração. O caso do Ceará é particularmente complexo, com um quadro indefinido de candidaturas. A situação é agravada pela postura do ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que se tornou um crítico veemente de Lula e flertou com uma aliança que poderia incluir o PL, tornando o resultado eleitoral imprevisível e dependente de futuras articulações políticas.
As pesquisas são um retrato do momento e, até 2026, muita coisa pode mudar. No entanto, elas oferecem um panorama inicial das forças em jogo e das estratégias que os principais grupos políticos estão começando a desenhar. Acompanhar esses movimentos é fundamental para entender o futuro político do Brasil.
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