A mudança de paradigma no marketing de viagens
A indústria global de turismo atravessa uma transformação profunda em suas estratégias de comunicação. O que antes era dominado por fotografias estáticas de pôr do sol e campanhas publicitárias impecavelmente produzidas, agora cede espaço para a espontaneidade das redes sociais. Gigantes do setor, como a Expedia, têm redirecionado verbas milionárias para parcerias com influenciadores digitais, buscando uma conexão mais direta e autêntica com o público jovem, especialmente a geração Z.
Um exemplo emblemático dessa mudança foi a parceria da Expedia com o criador de conteúdo Darren Jason Watkins Jr, conhecido como IShowSpeed. Com 50 milhões de seguidores, o influenciador é famoso por suas transmissões ao vivo caóticas e imprevisíveis. Embora a decisão tenha gerado preocupação interna na sede da empresa em Seattle, devido ao risco inerente ao formato ao vivo, a direção concluiu que a irrelevância perante o público mais jovem seria um perigo maior.
Investimentos crescentes em criadores digitais
Os números refletem essa nova realidade de mercado. Segundo a empresa de pesquisa Emarketer, os gastos das companhias de viagens dos Estados Unidos com marketing em redes sociais atingiram cerca de US$ 1,5 bilhão em 2025, com projeção de chegar a US$ 2 bilhões até 2027. No cenário geral, as empresas americanas destinaram aproximadamente US$ 10,7 bilhões a influenciadores no último ano, um crescimento de 15,8% em relação a 2024.
Agências de viagens on-line, como Booking Holdings e Airbnb, acompanham esse movimento, integrando o marketing de influência a orçamentos de publicidade que, somados, ultrapassaram a marca de US$ 18 bilhões em 2025. A estratégia é clara: capturar a atenção de consumidores que utilizam plataformas como Instagram e YouTube como pontos de partida fundamentais para o planejamento de férias.
A busca pela autenticidade e o desafio do luxo
Se por um lado grandes nomes como IShowSpeed trazem alcance massivo, marcas de luxo mantêm uma postura mais cautelosa. O grupo Belmond, responsável por hotéis icônicos e pelo trem Venice Simplon-Orient-Express, reforça que a curadoria é essencial. “A marca é tudo, por isso somos muito exigentes”, afirma Dan Ruff, presidente-executivo da empresa, destacando que o debate sobre quem representa a marca é constante e rigoroso.
A Maybourne, proprietária do hotel Claridge’s, enfrenta um cenário de alta demanda por parte de criadores que buscam permutas em troca de hospedagem. O desafio para essas empresas é filtrar quem realmente agrega valor à marca. A aposta, segundo especialistas como Kayla Gilchrist, da Iguana Growth Studios, é que a autenticidade local — obtida através de influenciadores menores e mais segmentados — pode ser tão ou mais eficaz do que campanhas de grande escala para gerar confiança e engajamento real.
O futuro das reservas e a influência digital
O comportamento do consumidor reforça a necessidade dessas adaptações. Dados do Bank of America indicam que as despesas da geração Z com viagens cresceram cerca de 8,5% em junho, comparado ao ano anterior, superando outras faixas etárias. Para esse público, a inspiração digital é o motor da decisão de compra, tornando as redes sociais o principal canal de conversão para o setor.
O M1 Metrópole segue acompanhando as transformações do mercado global e como as novas tecnologias de mídia impactam o comportamento do consumidor. Continue conosco para entender os desdobramentos da economia digital e as tendências que moldam o futuro do turismo e dos negócios. Acesse nossas atualizações diárias e mantenha-se informado com a qualidade que você exige.