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Liderança feminina no campo: mulheres impulsionam produção em 19% das propriedades rurais

© Marcello Casal jr/Agência Brasil
© Marcello Casal jr/Agência Brasil

A participação feminina na gestão do agronegócio brasileiro ganha destaque em um novo estudo, revelando que as mulheres estão à frente da produção em quase duas de cada dez propriedades rurais do país. Esse cenário, que representa uma área significativa de 30 milhões de hectares – ou 8,5% do total explorado na zona rural –, sublinha o papel crescente e fundamental das mulheres, especialmente na agricultura familiar.

Os dados, compilados no estudo Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro, publicado pela Fundação IDH, trazem à luz uma realidade muitas vezes invisível: a força e a capacidade de liderança feminina no setor primário. A pesquisa, que revisou a representatividade feminina em atividades rurais no Brasil ao longo do século 21, aponta que a atuação dessas líderes se concentra majoritariamente em unidades de até 20 hectares, reforçando a importância da mulher para a sustentabilidade e o desenvolvimento da agricultura familiar.

A força feminina no campo brasileiro

Historicamente, o trabalho da mulher no campo foi muitas vezes subestimado ou relegado a funções secundárias, sem o devido reconhecimento. No entanto, o levantamento da Fundação IDH demonstra uma mudança de paradigma, com as mulheres assumindo posições de comando e influenciando diretamente os rumos da produção agropecuária. Essa liderança não se restringe apenas à gestão, mas se estende à inovação e à adoção de práticas mais sustentáveis, como será detalhado adiante.

A presença feminina é um pilar para a resiliência e a diversificação da produção, especialmente em um contexto de desafios climáticos e econômicos. Ao liderar quase um quinto das propriedades rurais, as mulheres não apenas garantem o sustento de suas famílias, mas também contribuem significativamente para a segurança alimentar do país e para a economia local e regional.

Desafios e disparidades na liderança rural

Apesar do avanço na liderança, o estudo também expõe as persistentes desigualdades de gênero no setor. Assim como em outras esferas da economia brasileira, o trabalho feminino no agronegócio é, em média, menos valorizado que o masculino. A pesquisa revela uma disparidade salarial gritante: apenas 17,4% das mulheres do setor rural recebem mais de três salários mínimos, enquanto entre os homens, esse percentual sobe para 29,8%.

Essas barreiras não são apenas econômicas. O estudo aponta para desafios culturais severos, especialmente em cadeias produtivas como a da soja, onde a pressão doméstica para o abandono de cargos de liderança ainda é uma realidade. Essa situação reflete um problema estrutural que transcende o campo, ecoando debates sobre a equidade de gênero no mercado de trabalho e na sociedade como um todo, como visto em outras discussões sobre a liderança feminina no sistema judicial e a desigualdade no serviço público.

Inovação e sustentabilidade pelas mãos femininas

Um dos achados mais inspiradores do estudo é a identificação das mulheres rurais como “campeãs de inovação”. Essa característica se manifesta na priorização da responsabilidade social e na implementação de técnicas avançadas de conservação do solo. Em um cenário global de urgência climática, a visão feminina para a sustentabilidade se torna um diferencial estratégico para o agronegócio brasileiro.

A adoção de práticas que visam a proteção ambiental e o bem-estar social não só melhora a produtividade a longo prazo, mas também agrega valor aos produtos, atendendo a uma demanda crescente por alimentos e matérias-primas produzidos de forma ética e ecologicamente correta. Essa abordagem inovadora contribui para a construção de um modelo de desenvolvimento rural mais justo e equilibrado.

O panorama da participação feminina por setor rural

O levantamento da Fundação IDH analisou a presença feminina em seis importantes cadeias produtivas do agronegócio, revelando nuances na participação por setor:

  • Pecuária: É o subsetor com a maior participação feminina, com mulheres liderando a produção em 33% das propriedades.
  • Cacau: As mulheres gerem 22% das propriedades, com forte presença em unidades familiares na Bahia e no Pará.
  • Citros: Nas culturas de laranja, limão, tangerina, lima ácida e toranja, a liderança feminina atinge 18% da produção.
  • Soja: Apesar de ser uma cultura de grande peso econômico, as mulheres representam 17% da força de trabalho na produção primária, enfrentando barreiras culturais significativas para a gestão.
  • Café: A gestão feminina é verificada em 13,2% dos estabelecimentos. Nesses locais, a participação feminina na mão de obra chega a 43%, um contraste notável com os 24% observados em propriedades comandadas por homens.
  • Cana-de-açúcar: Apresenta a menor participação feminina, com apenas 8,8% da força de trabalho e 5,4% em cargos de liderança.

Esses dados setoriais demonstram que, embora a presença feminina seja uma realidade em todo o agronegócio, a intensidade e o reconhecimento dessa liderança variam consideravelmente, indicando a necessidade de políticas e iniciativas direcionadas para cada segmento.

A Fundação IDH, sigla em holandês para Iniciativa de Comércio Sustentável, com sede em Utrecht, nos Países Baixos, desempenha um papel crucial ao trazer esses dados à tona. No Brasil, a organização atua em cadeias produtivas rurais nos estados de Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, buscando promover práticas mais sustentáveis e inclusivas no setor. Para mais detalhes sobre o estudo, acesse o relatório completo.

O M1 Metrópole segue acompanhando de perto os desdobramentos e as discussões sobre a equidade de gênero e o desenvolvimento sustentável no Brasil. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes, com análises aprofundadas e contextualizadas, continue navegando em nosso portal. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, que te ajuda a entender o mundo ao seu redor.

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