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Butantan e parceiros avançam com terapia Car-t para lúpus e miastenia

21.nov.10/Folhapress
21.nov.10/Folhapress

O Instituto Butantan, em uma iniciativa que promete revolucionar o tratamento de doenças autoimunes no Brasil, firmará nesta quarta-feira (17) um acordo de cooperação estratégica. A parceria envolve o Hemocentro de Ribeirão Preto, a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com o objetivo de desenvolver terapias avançadas para condições debilitantes como o lúpus eritematoso sistêmico e a miastenia gravis generalizada.

Este movimento representa um passo significativo para a saúde pública brasileira, ao buscar aplicar a inovadora tecnologia de terapia celular CAR-T, que já demonstra resultados promissores no combate a certos tipos de câncer, agora para um novo espectro de enfermidades. A expectativa é que, com o sucesso dos estudos, esses tratamentos possam ser integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso a uma medicina de ponta para a população.

Terapia CAR-T: uma nova fronteira no tratamento de autoimunes

A terapia CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell) é uma abordagem de medicina personalizada que utiliza as próprias células de defesa do paciente, os linfócitos T, para combater doenças. Essas células são coletadas, geneticamente modificadas em laboratório para expressar um receptor específico (CAR) que as capacita a reconhecer e atacar células-alvo, e então reintroduzidas no paciente. Originalmente desenvolvida para certos tipos de câncer hematológico, como leucemias e linfomas, a CAR-T tem mostrado um potencial surpreendente também no tratamento de doenças autoimunes.

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulações, rins, cérebro e vasos sanguíneos. Já a miastenia gravis generalizada é uma doença neuromuscular autoimune que causa fraqueza e fadiga em músculos voluntários, podendo afetar a respiração e a deglutição. Ambas as condições podem ser severas e refratárias aos tratamentos convencionais, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Detalhes da colaboração e os próximos passos dos ensaios

A colaboração entre o Butantan, o Hemocentro de Ribeirão Preto, a USP e a Fapesp prevê a realização de ensaios clínicos rigorosos. Antes de seu início, os estudos precisarão passar por todas as etapas regulatórias e obter a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), garantindo a segurança e a eficácia da pesquisa.

Uma vez autorizados, os testes planejam recrutar 16 pacientes com lúpus e outros dez com miastenia gravis. Os voluntários serão atendidos em centros de excelência: o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e o Hospital das Clínicas da USP, na capital paulista. É fundamental que os participantes apresentem quadros graves das doenças e já tenham esgotado pelo menos duas linhas de tratamento sem obter uma resposta adequada, sublinhando a urgência e a necessidade de novas abordagens terapêuticas.

Potencial de transformação e o futuro no SUS

O diretor do Butantan, Esper Kallás, enfatiza que a iniciativa visa não apenas desenvolver uma nova terapia, mas também ampliar o acesso a uma tecnologia que tem o poder de transformar vidas. A meta ambiciosa é que, no futuro, a terapia CAR-T possa ser incorporada ao SUS, tornando-a acessível a um número maior de brasileiros que sofrem com essas doenças crônicas.

Rodrigo Calado, presidente da Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto, reforça a importância da pesquisa, afirmando que, caso os resultados sejam positivos, esses estudos podem posicionar o sistema público de saúde brasileiro na vanguarda mundial das terapias avançadas. Este é um reconhecimento do potencial inovador e da capacidade científica do país em desenvolver soluções de saúde de alto impacto.

Experiência prévia: sucesso da CAR-T em cânceres hematológicos

A parceria para o desenvolvimento da terapia CAR-T em doenças autoimunes não é a primeira incursão dessas instituições no campo da medicina avançada. O Butantan, o Hemocentro de Ribeirão Preto e a USP já colaboram desde 2022 no desenvolvimento de uma terapia CAR-T focada no tratamento de leucemia linfoide aguda e linfoma não-Hodgkin de células B, ambos cânceres hematológicos.

Em 2024, essa colaboração anterior resultou no início de um ensaio clínico de fase 1 para esses tipos de câncer, cujos resultados iniciais têm sido considerados promissores pelas equipes envolvidas. Essa experiência prévia e os resultados encorajadores fornecem uma base sólida e credibilidade para a nova empreitada no campo das doenças autoimunes, reforçando a capacidade e o comprometimento dos pesquisadores e instituições brasileiras.

A cerimônia de assinatura do acordo contará com a presença de importantes figuras do cenário científico e acadêmico, como Esper Kallás, Saulo Nacif (diretor-executivo da Fundação Butantan), Aluísio Segurado (reitor da USP), Marco Antonio Zago (presidente da Fapesp) e Rodrigo Calado. Este evento simboliza a união de forças em prol da inovação e da esperança para milhares de pacientes.

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