PUBLICIDADE

Roubos de canetas emagrecedoras geram trauma em farmácias e acendem alerta sobre segurança

Roubos de canetas emagrecedoras geram trauma em farmácias e acendem alerta sobre segurança
Menu Assine Folha de São Paulo - marca do jornal na navegação principal Ir para o conteúdo [1] Ir para o menu [2] Ir para o rodapé [3] Entrar Entrar | Sair Buscar saúde equilíbrio todas ciência cotidiano dê um conteúdo benefício do assinante

A crescente onda de roubos de canetas emagrecedoras tem transformado farmácias em cenários de violência e medo, deixando um rastro de traumas psicológicos em seus funcionários. O caso de Karina Ribeiro, uma farmacêutica de 38 anos morta a tiros durante um assalto em São Paulo em fevereiro, é um doloroso exemplo da escalada de crimes que assola o setor. A busca por medicamentos de alto valor, como o Mounjaro, popularmente conhecido por seus efeitos na perda de peso, tem exposto trabalhadores a situações de risco extremo, com consequências devastadoras para a saúde mental e o bem-estar.

Em meio a esse cenário, relatos de atendentes como Humberto Maciel, de 26 anos, que presenciou a morte de Karina e já contabiliza doze assaltos em sua trajetória, revelam a profundidade do impacto. Crises de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático tornaram-se companheiros indesejados para muitos que, diariamente, enfrentam a incerteza de um novo ataque. A situação levanta um debate urgente sobre a segurança no ambiente de trabalho e a responsabilidade das empresas em proteger seus colaboradores.

A Tragédia que Revela a Escalada da Violência em Farmácias

O fatídico turno da madrugada em uma farmácia da zona norte de São Paulo, em fevereiro, permanece gravado na memória de Humberto Maciel. Dois homens armados invadiram o estabelecimento em busca das cobiçadas canetas emagrecedoras. A tentativa de reação de um cliente, que era policial, resultou na morte trágica de Karina Ribeiro, a farmacêutica de plantão. Para Humberto, que se escondeu atrás do balcão, a imagem de Karina caída no chão é um gatilho constante de pavor.

Este incidente não é isolado, mas o ápice de uma série de eventos que têm atormentado os trabalhadores do setor. A popularidade e o alto custo de medicamentos como o Mounjaro, que pode custar a partir de R$ 1,4 mil por unidade, transformaram esses produtos em alvos valiosos para criminosos. O que antes eram assaltos esporádicos por produtos diversos, agora se concentra na busca específica por essas canetas, alterando a dinâmica e a frequência dos crimes.

O Atrativo das Canetas Emagrecedoras e a Transformação dos Assaltos

A eficácia das canetas emagrecedoras na perda de peso rápida e significativa impulsionou sua demanda, mas também as colocou no radar do crime organizado. O valor de mercado desses medicamentos, que muitas vezes exigem prescrição médica, as torna um produto de alto giro no mercado ilegal. Essa valorização reconfigurou o perfil dos assaltos a farmácias, que agora são mais focados e, frequentemente, mais violentos.

Jonas Xavier, de 35 anos, outro funcionário que trabalhou na mesma unidade de Karina e presenciou doze assaltos em um ano, descreve a mudança. Segundo ele, antes os roubos eram direcionados a seções específicas, como a dermatológica, e ocorriam com menor frequência. Com a ascensão das canetas, os assaltos se tornaram diretos e incessantes, muitas vezes ignorando o caixa e focando apenas nos medicamentos de alto valor. A experiência de ter uma arma apontada para a cabeça o levou a um quadro de sofrimento psicológico intenso.

Cicatrize Psicológicas e a Batalha por Direitos Trabalhistas

As consequências psicológicas para os trabalhadores de farmácia são alarmantes. Humberto Maciel, após a morte de Karina e uma coronhada durante um assalto, viu sua saúde mental se deteriorar, desenvolvendo sintomas de estresse pós-traumático. Ele, que antes sonhava em seguir carreira na farmácia, agora busca uma saída do ambiente de trabalho, entrando com uma ação de

Leia mais

PUBLICIDADE