A reviravolta no caso da morte de Larissa da Cruz Morata
A morte da técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, ocorrida no último domingo (6), em Embu das Artes, na Grande São Paulo, tomou novos contornos após a prisão do marido, o policial militar Vinicius Costa Silva, de 26 anos. O soldado, que integra a corporação desde janeiro de 2023, foi detido na segunda-feira (7) enquanto a família da vítima velava o corpo da jovem. O caso, inicialmente tratado como uma possível morte suspeita, é agora investigado sob a hipótese de feminicídio pela Polícia Civil.
O cenário encontrado na residência do casal, onde também estava o filho de 2 anos, foi palco de uma narrativa contestada desde o início. Segundo o relato de Vinicius Costa Silva, Larissa teria tirado a própria vida após uma discussão sobre a separação do casal. No entanto, elementos técnicos coletados pela perícia do Instituto Médico Legal (IML) e da Polícia Técnico-Científica colocaram a versão do policial em xeque, levando a delegada Bruna Caracho Crippa a representar pela prisão temporária do suspeito.
Trajetória do disparo e evidências técnicas
Um dos pontos cruciais que fundamentaram o pedido de prisão foi a análise da trajetória do projétil. De acordo com informações preliminares dos peritos, o disparo que atingiu a vítima ocorreu da esquerda para a direita, na região posterior da cabeça, acima da orelha esquerda. Como Larissa era destra, a dinâmica do ferimento torna improvável a hipótese de um disparo autoinfligido, elemento que enfraqueceu a tese de suicídio apresentada pelo marido.
A arma utilizada, uma pistola Taurus calibre 357 pertencente ao próprio policial, foi encontrada sob o corpo da vítima e encaminhada para perícia. Além disso, o comportamento do investigado durante o inquérito chamou a atenção das autoridades: Vinicius Costa Silva negou o acesso à senha de seu celular, aparelho que foi apreendido para análise. A suspeita é de que mensagens cruciais para o esclarecimento do caso possam ter sido apagadas antes da chegada das autoridades ao local.
Contexto familiar e suspeitas de motivação
Familiares da vítima relataram que Larissa já manifestava o desejo de encerrar o relacionamento com o policial. A avó da jovem foi uma das vozes que contestou publicamente a versão de suicídio, reforçando a suspeita de que o crime teria motivações ligadas ao controle e à insatisfação da vítima com o casamento. Testemunhas também levantaram a hipótese de que o interesse em bens e imóveis adquiridos pela técnica em radiologia poderia estar entre as motivações do crime.
O soldado, que atuava no 27° Batalhão, na Zona Sul da capital, encontra-se agora custodiado no presídio Romão Gomes, unidade destinada a policiais militares. O caso segue sob apuração da Delegacia Central de Embu das Artes, que aguarda os laudos definitivos do IML e do Instituto de Criminalística (IC) para avançar com o indiciamento. A reconstituição do crime deve ser agendada para detalhar os últimos momentos de Larissa antes do disparo fatal.
Para acompanhar os desdobramentos deste e de outros casos que impactam a segurança pública e a sociedade, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística apurada, contextualizada e pautada pela transparência e pelo rigor informativo.
Saiba mais sobre o andamento das investigações policiais em g1.globo.com.