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A ditadura da excelência: por que aceitar ser mediano pode ser o segredo para uma vida melhor

A ditadura da excelência: por que aceitar ser mediano pode ser o segredo para uma vida melhor
Folhapress

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Em uma era marcada pela cultura da alta performance e pela exposição constante de conquistas nas redes sociais, a pressão para ser o melhor em tudo tornou-se uma sombra onipresente. O desejo de superação pessoal é um motor legítimo de desenvolvimento, mas, quando levado ao extremo, pode se transformar em uma armadilha psicológica. Especialistas alertam que a busca incessante pela perfeição está diretamente ligada ao aumento de casos de burnout, ansiedade e quadros depressivos na sociedade contemporânea.

O fenômeno não é apenas uma percepção subjetiva, mas um comportamento mapeado por pesquisadores. Thomas Curran, professor da London School of Economics, aponta que as novas gerações carregam um fardo de perfeccionismo significativamente maior do que os jovens das décadas passadas. Essa exigência, que começa na escola com a busca pelas notas máximas, estende-se para a vida adulta, onde o mercado de trabalho saturado impõe a necessidade de uma excelência ininterrupta para garantir a sobrevivência e o reconhecimento profissional.

O peso da competição e a desigualdade de oportunidades

A mentalidade competitiva, embora vendida como um valor positivo, ignora as disparidades estruturais da sociedade. Para grupos historicamente vulneráveis — como pessoas negras, mulheres, membros da comunidade LGBTQIAP+ e indivíduos com deficiência —, a necessidade de atingir um patamar próximo à perfeição é, muitas vezes, uma estratégia de defesa para provar valor em um sistema que oferece poucas chances. Esse esforço dobrado, contudo, cobra um preço alto em termos de saúde mental e bem-estar físico.

O problema se agrava quando essa lógica de mercado invade esferas da vida privada, como hobbies e relacionamentos. A necessidade de se destacar, de estar sempre um degrau acima ou de transformar o lazer em uma atividade produtiva, esvazia o sentido do descanso. A vida passa a ser vista como uma série de metas a serem batidas, e não como uma experiência a ser vivida, o que gera um vazio existencial mesmo entre aqueles que alcançam o topo.

A sabedoria da moderação como antídoto

Em sua obra “Viver É Melhor Sem Ter Que Ser O Melhor”, o psiquiatra Daniel Barros, do Hospital das Clínicas de São Paulo, propõe uma reflexão baseada nos princípios do Arcadismo. O movimento literário, que valorizava o comedimento e a simplicidade, oferece uma alternativa valiosa para os dias atuais: a ideia de que a moderação permite distinguir o que realmente importa. Ao abrir mão da perfeição, o indivíduo ganha liberdade para experimentar, errar e, consequentemente, aprender com mais leveza.

Aceitar a mediocridade — no sentido de estar na média, onde reside a maior parte da população — não significa conformismo ou falta de ambição. Pelo contrário, é uma forma de preservação. Quem se permite ser mediano em determinadas áreas tem mais facilidade em manter a constância, pois não desiste ao primeiro sinal de frustração. A excelência, quando buscada a qualquer custo, frequentemente exige o sacrifício de pilares fundamentais, como o sono, a saúde física e o tempo de qualidade com quem amamos.

Redefinindo o sucesso na prática

O verdadeiro sucesso, argumenta Barros, deveria ser medido não apenas pelas conquistas acumuladas, mas também pelo que conseguimos preservar ao longo da trajetória. O custo de ser o “vencedor” muitas vezes inclui o isolamento e a exaustão. Para romper esse ciclo, é necessário um exercício diário de questionamento: vale a pena sacrificar o bem-estar por uma tarefa que, no longo prazo, pode não ter o peso que imaginamos?

Desacelerar é o primeiro passo para avaliar as prioridades. Em uma rotina exaustiva, o tempo para a reflexão é o primeiro item a ser cortado. Ao priorizar o descanso e o autocuidado, abrimos espaço para uma vida mais equilibrada e menos refém da aprovação externa. O M1 Metrópole segue acompanhando as discussões sobre comportamento, saúde mental e os desafios da vida moderna, trazendo sempre um olhar crítico e aprofundado sobre os temas que impactam o seu dia a dia. Continue conosco para mais análises e conteúdos que fazem a diferença.

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