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Homem é preso por feminicídio em Guarulhos após matar ex-companheira e atirar na filha

Reprodução/TV Globo
Reprodução/TV Globo

A Polícia Militar efetuou a prisão de Anderson Pereira da Encarnação, de 44 anos, na noite de sexta-feira, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Ele é o principal acusado de um brutal feminicídio ocorrido na última quinta-feira em Guarulhos, onde sua ex-companheira, Sara de Lima, também de 44 anos, foi assassinada. Além do homicídio, Anderson é investigado por atirar contra Jheniffer Tadashi Lima dos Santos, de 23 anos, filha da vítima, que tentou defender a mãe.

A captura de Anderson Pereira da Encarnação representa um avanço significativo na investigação de um crime que chocou a comunidade local e reacendeu o debate sobre a violência de gênero no estado. A prisão ocorreu na Avenida Anhumas, no bairro Lousada, por volta das 22h, após a localização do veículo utilizado na fuga do agressor. A arma do crime foi encontrada em posse do suspeito, que ainda vestia as mesmas roupas usadas durante o ataque.

A brutalidade do crime em Guarulhos

O assassinato de Sara de Lima ocorreu por volta das 10h da última quinta-feira, na Rua 29 de Janeiro, na Vila Barros, em Guarulhos, nas proximidades do Aeroporto Internacional. Câmeras de segurança registraram o momento em que Anderson Pereira da Encarnação chegou de carro em frente à residência da vítima, acompanhado da filha mais nova do casal, de apenas 2 anos. Segundos após entrarem no imóvel, disparos foram ouvidos, transformando a cena em um palco de horror.

Após os tiros, o agressor deixou a casa, entrou no veículo e fugiu. Em seguida, uma das filhas de Sara foi ouvida gritando desesperadamente: “Ele matou minha mãe, ele matou minha mãe!”. Segundo relatos de familiares, Anderson atirou em Sara ainda no corredor de entrada da casa. Marcas de balas foram encontradas na parede e no fogão, evidenciando a violência do ataque. A filha mais velha de Sara, Jheniffer, foi atingida no abdômen ao tentar proteger a mãe, e está internada em estado grave, porém estável, conforme informações dos familiares. Parentes também afirmam que Anderson atentou contra as outras filhas de Sara, que se esconderam em um quarto e banheiro.

A captura do suspeito e seu histórico de violência

A prisão de Anderson Pereira da Encarnação em Itaquaquecetuba foi crucial para a elucidação do caso. A rápida ação policial, que localizou o carro e, posteriormente, o suspeito com a arma e as mesmas vestimentas do crime, demonstra a eficiência das forças de segurança. Ele deve responder por feminicídio consumado e tentativa de feminicídio, conforme a Polícia Civil.

Um detalhe alarmante revelado pela investigação é o histórico de violência do acusado. Embora Sara de Lima não possuísse boletins de ocorrência registrados contra Anderson, uma outra ex-companheira dele já havia formalizado cinco denúncias por agressão. Esse padrão de comportamento é um indicativo preocupante da escalada da violência doméstica, muitas vezes ignorada até que se torne fatal. A falta de denúncias prévias por parte da vítima, embora compreensível em muitos contextos de medo e dependência, ressalta a complexidade e os desafios no combate a esses crimes.

O cenário alarmante do feminicídio em São Paulo

O caso de Sara de Lima e Jheniffer Tadashi Lima dos Santos se insere em um contexto mais amplo de aumento da violência contra a mulher no estado de São Paulo. Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) revelam um cenário preocupante. Nos dois primeiros meses de 2026, o número de feminicídios no estado subiu de 42 para 56 em comparação com o mesmo período de 2025, representando um aumento de 33%. Isso significa que, em média, uma mulher foi assassinada a cada dia no estado devido à violência de gênero.

Na Grande São Paulo, embora tenha havido uma leve queda de 17 para 15 casos no mesmo período (uma redução de 12%), a estatística ainda é alarmante: uma mulher é assassinada a cada quatro dias na região. A delegada Monique Ferreira de Lima, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), enfatiza a necessidade de intervenção precoce. “O feminicídio é o último ponto de uma escalada de violência, então é a gente ter um olhar pra quando a violência começa”, afirma a policial, ressaltando que, apesar dos esforços de repressão e proteção, ainda falta conscientização sobre o comportamento dos agressores.

A importância da denúncia e o combate à violência de gênero

O sepultamento de Sara de Lima, marcado para esta sexta-feira, no Cemitério da Vila Rio, às 14h30, será um momento de luto e reflexão para familiares e amigos. A tragédia serve como um doloroso lembrete da urgência em combater a violência contra a mulher em todas as suas formas. A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso foi registrado como feminicídio consumado e tentado, e a prisão temporária de Anderson Pereira da Encarnação já foi solicitada.

É fundamental que a sociedade esteja atenta aos sinais de violência e que as vítimas se sintam seguras para denunciar. O Disque-Denúncia, pelo telefone 181, é um canal anônimo e essencial para que informações sobre agressores e situações de risco cheguem às autoridades, permitindo que a polícia atue antes que a violência atinja seu ponto mais extremo. A conscientização e a solidariedade são ferramentas poderosas na construção de um ambiente mais seguro para todas as mulheres.

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