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Equipe médica na Holanda entra em quarentena após falha em tratamento de hantavírus

7.mai.26/AFP
7.mai.26/AFP

Doze profissionais de saúde de um hospital holandês foram colocados em quarentena preventiva nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, após a constatação de falhas em procedimentos durante o tratamento de um paciente diagnosticado com hantavírus. O incidente ocorreu no Hospital Universitário Radboud, localizado em Nijmegen, no leste da Holanda, e levanta questões sobre a rigorosidade dos protocolos de segurança em ambientes hospitalares, especialmente em casos de doenças infecciosas raras.

A medida de isolamento, que se estenderá por seis semanas, foi adotada como precaução, apesar de o risco de infecção ser considerado baixo, conforme comunicado pela própria instituição. O episódio ressalta a importância da aderência estrita a diretrizes médicas para proteger tanto os pacientes quanto as equipes que atuam na linha de frente do combate a enfermidades.

Hantavírus e a falha nos procedimentos: equipe em quarentena

O Hospital Universitário Radboud confirmou que as falhas ocorreram especificamente durante a coleta de sangue e o descarte da urina do paciente. Esses procedimentos, quando não executados corretamente, podem, teoricamente, expor os profissionais a agentes infecciosos, justificando a quarentena imposta. A decisão de isolar a equipe demonstra o compromisso da instituição com a segurança e a saúde pública, mesmo diante de um risco avaliado como reduzido.

A cepa andina do hantavírus, confirmada no paciente, é notória por ser uma das poucas que pode ser transmitida de pessoa para pessoa, embora essa forma de contágio seja rara. Este fator adiciona uma camada extra de preocupação e justifica a cautela extrema adotada pelo hospital e pelas autoridades de saúde.

O caso do paciente e o surto no cruzeiro MV Hondius

O paciente em questão é o médico de bordo do cruzeiro MV Hondius, que começou a apresentar sintomas em 30 de abril. Ele foi retirado da embarcação durante uma escala próxima a Cabo Verde e transferido para a Holanda, onde recebeu tratamento em isolamento e seu estado de saúde permaneceu estável. O diagnóstico de hantavírus, cepa andina, foi confirmado em 6 de maio, após a realização de testes específicos.

O cruzeiro MV Hondius partiu da Argentina em 1º de abril, com 149 pessoas de 23 nacionalidades a bordo. O vírus foi detectado na embarcação em 2 de maio, 21 dias após a morte do primeiro passageiro. Um balanço recente divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou sete casos confirmados de hantavírus entre os passageiros do navio, com um total de três mortes.

Recomendações da OMS e o desembarque dos passageiros

Diante da situação, a OMS, por meio de Maria Van Kerkhove, diretora de gestão de epidemias e pandemias da organização, recomendou uma quarentena de 42 dias para todos os passageiros do navio, a partir de domingo, 10 de maio. Essa medida visa monitorar qualquer possível desenvolvimento da doença e conter a propagação do vírus.

O desembarque dos passageiros do MV Hondius foi concluído nesta segunda-feira, conforme informado pela ministra da Saúde da Espanha, Monica Garcia. No domingo, 94 pessoas foram retiradas e transportadas em oito voos. Nesta segunda, outros dois voos partiram em direção à Holanda: um deles com 21 tripulantes e dois médicos da OMS, e outro com seis pessoas que seguiriam posteriormente para a Austrália, finalizando a complexa operação de repatriação e isolamento.

Entendendo o hantavírus: transmissão e prevenção

O hantavírus é uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. Geralmente, o vírus é transmitido por roedores silvestres, como os ratos do mato, através do contato com sua urina, fezes e saliva contaminadas. A principal forma de infecção em humanos ocorre pela inalação de aerossóis contendo partículas virais, que podem ser liberadas no ar quando locais infestados por esses roedores são varridos ou limpos.

É importante diferenciar o hantavírus de outras doenças transmitidas por roedores. Ratos urbanos comuns, como ratazanas e camundongos, estão mais frequentemente associados à leptospirose do que ao hantavírus. A cepa andina, contudo, é uma exceção notável, pois pode, em casos raros, ser transmitida de pessoa para pessoa, o que a torna de particular interesse para a saúde pública e exige protocolos de biossegurança mais rigorosos.

Para mais informações sobre o hantavírus e medidas de prevenção, consulte as diretrizes da Organização Mundial da Saúde em WHO.

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