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Dino admite excesso de protagonismo no STF, mas descarta recuo da corte

Dino admite excesso de protagonismo no STF, mas descarta recuo da corte
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O papel do Supremo no cenário democrático

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reconheceu que o atual cenário de “ultraprotagonismo” do Poder Judiciário não é o ideal para o equilíbrio institucional do país. Em palestra realizada nesta sexta-feira (28), em Salvador, o magistrado ponderou que, embora o excesso de exposição da corte seja um ponto de atenção, o tribunal não pode se omitir ou recuar diante de pressões políticas ou sociais.

Segundo Dino, o desafio atual reside em redesenhar o espaço ocupado pelo Judiciário no xadrez político brasileiro. O objetivo, segundo o ministro, é realizar esse ajuste sem que haja qualquer sacrifício à essência do Estado Democrático de Direito ou à proteção das garantias fundamentais previstas na Constituição.

A permanência do tribunal na praça dos Três Poderes

Ao utilizar uma metáfora sobre a localização física do tribunal em Brasília, o ministro foi enfático ao rejeitar uma postura de fuga por parte da Suprema Corte. “O Supremo não deve ficar no centro da praça, mas também não pode sair correndo da praça, como se estivesse em fuga, acossado, com medo de quem se sente contrariado por decisões”, afirmou.

Para o magistrado, o recuo do STF diante de críticas ou ameaças resultaria em um vácuo institucional perigoso. Dino argumentou que a atuação ativa do tribunal, muitas vezes vista como invasiva, é uma resposta a problemas estruturais que, por diversas razões, não encontraram soluções eficazes nos outros Poderes da República.

Atuação em políticas públicas e direitos fundamentais

O ministro destacou que a intervenção do STF tem sido decisiva em áreas sensíveis, como a proteção da saúde indígena, o combate à letalidade policial, a gestão do sistema penitenciário e a preservação ambiental. Nesses casos, o Judiciário tem adotado o modelo de processos estruturais, que permitem à corte estabelecer metas, fixar prazos e monitorar a execução de políticas públicas pelos órgãos competentes.

Essa abordagem, segundo Dino, não visa substituir o Executivo ou o Legislativo, mas sim garantir que os direitos garantidos pela Constituição não se tornem apenas promessas vazias. A atuação, portanto, seria uma forma de cobrar eficiência e cumprimento da lei por parte dos demais entes estatais.

Debate sobre emendas e o impacto na renovação política

Durante o evento na UFBA, o ministro também abordou a questão das emendas parlamentares, tema que está sob sua relatoria na ADPF 854. Dino sinalizou que os processos relacionados ao assunto estão em fase final de análise e defendeu a necessidade de um debate transparente sobre o impacto desses recursos na dinâmica eleitoral.

O ministro questionou se a concentração de verbas nas mãos de parlamentares que já detêm mandatos não estaria criando uma desigualdade injusta no processo eleitoral, dificultando a renovação política no Congresso Nacional. “Não há uma desigualdade hoje no processo eleitoral que distingue os que têm emenda daqueles que não têm? E isso não conduz a uma cristalização do sistema político?”, indagou.

Dino reforçou que a busca por mecanismos de controle sobre a aplicação desses recursos não deve ser interpretada como um ataque ao Legislativo. Pelo contrário, ele defendeu que a fiscalização é uma forma de fortalecer o Congresso e o próprio sistema democrático, garantindo que o dinheiro público seja gerido com transparência e equidade.

Para acompanhar os desdobramentos desta e de outras decisões que impactam o cenário político nacional, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística aprofundada, com a credibilidade e a imparcialidade que o leitor exige para compreender os fatos que moldam o Brasil.

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