O cenário eleitoral brasileiro atravessa uma fase de reacomodação, com a dissipação do chamado efeito Dark Horse, que havia impactado negativamente a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) há pouco mais de três meses. Segundo os dados mais recentes do Datafolha, divulgados nesta quinta-feira (3), a distância entre o senador e o presidente Lula (PT) retorna aos patamares observados antes do escândalo envolvendo o pedido de recursos ao dono do Banco Master para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Recuperação do eleitorado antipetista
A análise dos números revela que Flávio Bolsonaro conseguiu estancar a perda de votos entre o eleitorado que rejeita o PT, mas que havia se distanciado após a revelação do caso Vorcaro. O senador recuperou terreno importante, especialmente entre os eleitores com ensino superior, voltando ao patamar de 37% de intenções de voto neste segmento. No Sul do país, onde o impacto do escândalo foi mais severo — levando a uma queda de 48% para 35% —, o parlamentar agora registra 44%, sinalizando uma retomada da base tradicional do bolsonarismo.
Apesar da recuperação, o comitê de campanha do senador permanece em estado de alerta. Novas delações e o surgimento de detalhes adicionais sobre as operações do Banco Master mantêm o ambiente de incerteza, sugerindo que o quadro eleitoral ainda está sujeito a oscilações bruscas até o dia do pleito.
O papel de Augusto Cury na disputa
Enquanto a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro tenta se estabilizar, o escritor Augusto Cury (Avante) consolida-se como um fator de desequilíbrio. Ocupando o terceiro lugar, Cury tem atraído o eleitorado que se define como não lulista e não bolsonarista. Essa movimentação cria um obstáculo estratégico para os dois líderes, que disputam palmo a palmo o eleitor pendular, aquele que ainda não definiu sua escolha final.
A presença de Cury no tabuleiro eleitoral é apontada por analistas como um dos principais entraves para a pretensão de Lula de encerrar a disputa logo no primeiro turno. Ao ocupar o espaço de uma alternativa ao embate tradicional, o candidato do Avante fragmenta o voto de centro e dificulta a migração de eleitores indecisos para as candidaturas majoritárias.
Desafios de Lula e o cenário econômico
Para o presidente Lula, o momento é de cautela. O petista mantém uma vantagem sustentada pela força de sua base entre eleitores de baixa renda, onde alcança 45%, e no Nordeste, com 53%. Contudo, o governo enfrenta o seu pior nível de avaliação neste terceiro mandato. O comitê petista identifica um mal-estar persistente do eleitorado com o custo de vida e o poder de compra, fatores que, apesar da estabilidade nos indicadores macroeconômicos, não têm se traduzido em ganho de popularidade nas pesquisas.
Mesmo com o uso estratégico do tempo de propaganda na televisão e o lançamento de programas com forte apelo popular, o governo ainda não conseguiu reverter a percepção negativa de parte da população. A disputa, agora a um mês do primeiro turno, mostra-se extremamente competitiva, com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em segmentos cruciais, como o eleitorado masculino, onde o petista registra 38% contra 36% do senador.
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