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Fabrício Queiroz recebeu de empresa ligada a lavagem de dinheiro de miliciano, aponta Coaf

5.ago.22/Folhapress
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Um novo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recebeu R$ 6.300 de uma empresa de estética. Esta firma, segundo investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), foi utilizada em um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao ex-PM Adriano da Nóbrega, miliciano morto em 2020.

A transação financeira ocorreu em 2017, período em que Queiroz atuava como chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A informação adiciona uma nova camada de complexidade às conexões financeiras de Queiroz, indo além das já conhecidas acusações de “rachadinha”.

A nova conexão entre Queiroz e o esquema de milícia

O pagamento de R$ 6.300 a Queiroz foi identificado no âmbito da Operação Legado, deflagrada em março deste ano pelo MP-RJ. Esta operação desvendou uma rede de indivíduos supostamente envolvidos na lavagem de dinheiro para Adriano da Nóbrega, figura central em diversas atividades criminosas no Rio de Janeiro.

Embora Queiroz não tenha sido formalmente acusado neste caso específico da Operação Legado, o repasse financeiro representa a primeira ligação direta identificada entre ele e um elo da estrutura criminosa de Adriano da Nóbrega que não está relacionada ao esquema de desvio de salários. Entre os denunciados na Operação Legado está Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano e também ex-assessora de Flávio Bolsonaro na Alerj, o que reforça a teia de relações.

As reações e o posicionamento dos envolvidos

Questionado sobre o assunto, Fabrício Queiroz optou por não comentar detalhadamente, limitando-se a afirmar que não é investigado por “falsas acusações” e pedindo para ser deixado em paz para cuidar de sua vida e família. Sua postura reflete a tensão em torno das constantes investigações que o cercam.

Em nota, o senador Flávio Bolsonaro negou qualquer envolvimento ou conhecimento dos fatos. Ele declarou que “não possui qualquer relação com os fatos mencionados e que jamais teve conhecimento ou participação em atividades ilícitas atribuídas a Fabrício Queiroz ou a Adriano da Nóbrega”. O senador também sugeriu que a retomada do tema pode ser uma “tentativa de associação” e parte de uma “estratégia do PT para promover o desgaste” de sua imagem, especialmente considerando sua pré-candidatura à Presidência da República. Flávio ainda argumentou que a cronologia dos eventos, já reconhecida em investigações, indica que as nomeações e exonerações de pessoas ligadas a Adriano ocorreram antes de qualquer acusação pública contra o miliciano, afastando a hipótese de conhecimento prévio.

O histórico das “rachadinhas” e as investigações anteriores

Fabrício Queiroz já havia sido apontado pelo MP-RJ como o principal operador do esquema de “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. A denúncia, apresentada em 2020, alegava que o então deputado estadual teria desviado cerca de R$ 6 milhões dos cofres públicos, recolhendo parte dos salários de funcionários fantasmas. Queiroz, segundo a acusação, seria o responsável por gerenciar o repasse desses valores para Flávio.

No entanto, o caso da “rachadinha” foi arquivado após a anulação das provas pela Justiça, um desfecho que gerou grande repercussão. Tanto Queiroz quanto Flávio Bolsonaro sempre negaram veementemente as acusações. Entre os supostos funcionários fantasmas envolvidos no esquema estavam Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa, ex-mulher de Adriano da Nóbrega, que teriam repassado mais de R$ 200 mil para o esquema, embora houvesse suspeitas de valores ainda maiores. Atualmente, Queiroz ocupa o cargo de subsecretário de Segurança e Ordem Pública de Saquarema.

Implicações e o cenário político-jurídico

A identificação deste novo repasse financeiro, ligando Queiroz a uma empresa usada na lavagem de dinheiro de um miliciano, adiciona um elemento significativo ao histórico de investigações envolvendo o ex-assessor. Embora não haja acusação formal contra Queiroz neste caso específico, a transação reforça a percepção pública sobre as intrincadas relações financeiras e políticas que permeiam o cenário carioca e nacional.

Este tipo de revelação mantém o foco na necessidade de transparência e na fiscalização das atividades financeiras de figuras públicas e seus associados, especialmente em um contexto onde a criminalidade organizada busca constantemente meios de legitimar seus ganhos ilícitos. A persistência dessas investigações, mesmo que com desdobramentos judiciais variados, sublinha a importância do papel de órgãos como o Coaf e o MP-RJ na apuração de possíveis irregularidades.

Para se manter atualizado sobre este e outros desdobramentos importantes no cenário político e jurídico brasileiro, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é trazer informação relevante, contextualizada e de qualidade, ajudando você a compreender os fatos que moldam a nossa realidade.

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