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Guerra interna na direita: Eduardo Bolsonaro reage a Salles sobre suposto acordo para o Senado

Reprodução/Redes Sociais
Reprodução/Redes Sociais

Uma intensa troca de acusações agitou o cenário político da direita paulista, colocando em lados opostos o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e o deputado federal Ricardo Salles (Novo). A disputa, tornada pública nas redes sociais, gira em torno de supostos acordos financeiros para o apoio à candidatura de André do Prado (PL) ao Senado por São Paulo.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro repudiou veementemente as alegações de Salles, classificando-as como ‘calúnia’ e exigindo provas de qualquer transação monetária em troca de seu endosso político. O embate revela as tensões e os bastidores da articulação de candidaturas para as próximas eleições, especialmente no campo da direita.

A Acusação de “Calúnia” e a Demanda por Provas

Em um vídeo divulgado nesta segunda-feira (11) em suas redes sociais, Eduardo Bolsonaro não poupou críticas ao deputado do Novo. Ele se defendeu das acusações de corrupção e de ter vendido seu apoio a André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

“Ele começou partindo para a calúnia, dizendo que sou bandido, que sou corrupto, que estou aceitando dinheiro em troca do voto, de indicar para as pessoas votarem no André do Prado”, declarou Eduardo em seu canal no YouTube. O ex-deputado exigiu que Salles apresente evidências para suas alegações.

“Eu quero que você prove, Salles, que tem algum acordo financeiro entre eu e o André do Prado. Eu quero que você diga onde é que está sua suspeita. Eu quero que você prove o que está falando, porque você está falando que sou corrupto, você está falando que eu sou vendido”, reiterou o ex-deputado federal, desafiando publicamente o parlamentar do Novo.

A Origem das Alegações e os Valores Mencionados

A controvérsia ganhou força após Ricardo Salles, em entrevista ao podcast “IronTalks” na semana passada, levantar a suspeita de que Eduardo Bolsonaro teria aceitado receber uma quantia significativa para negociar o apoio a André do Prado. Segundo Salles, relatos indicavam valores que variavam entre R$ 20 milhões e R$ 60 milhões, embora ele mesmo tenha expressado a esperança de que tais informações fossem “mentira”.

O deputado do Novo também criticou a escolha de André do Prado, ligando-o ao “PL do Valdemar” e ao que ele chamou de “centrão corrupto”. Salles sugeriu que a candidatura de Prado ao Senado seria uma forma de “contaminar o governo” de Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, que confirmou André do Prado como um dos nomes de sua chapa para o Senado na quarta-feira (5).

Salles afirmou que, ao conversar com deputados federais, ouviu relatos consistentes sobre o suposto pagamento, o que intensificou sua desconfiança e motivou suas declarações públicas, que agora geram a reação de Eduardo Bolsonaro.

A Disputa Interna da Direita e o Cenário Eleitoral

Por trás da troca de farpas, reside a complexa definição das candidaturas para as duas vagas do Senado na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. Até o momento, a chapa de Tarcísio confirmou André do Prado e Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública de SP, como seus nomes para o Senado.

Integrantes do grupo bolsonarista temem que uma terceira candidatura de direita, caso Salles não desista, possa pulverizar os votos e, consequentemente, beneficiar os adversários políticos. Aliados do presidente Lula, por exemplo, devem apresentar nomes como Simone Tebet (PSB), Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede), o que poderia ser facilitado pela divisão interna na direita.

Ricardo Salles, por sua vez, tem demonstrado firmeza em sua intenção de não recuar, reforçando sua oposição a André do Prado, a quem ele descreve como “pupilo do Valdemar” e “Centrão”, sem “história na direita”. Ele condicionou sua desistência à substituição de André do Prado pelo vice-prefeito da capital paulista, Ricardo Mello Araújo (PL), na chapa, afirmando que só assim “prestigiaria a direita”.

A Defesa de Eduardo Bolsonaro e as Críticas a Salles

Em seu vídeo, Eduardo Bolsonaro reiterou que seu apoio a André do Prado foi uma decisão pessoal, tomada após conversas com diversas pessoas, e não fruto de acordos financeiros. O ex-deputado, que atualmente está nos Estados Unidos há mais de um ano e perdeu o mandato, mencionou que deve ser o primeiro suplente na chapa de André do Prado.

“Fiz um vídeo ao lado do André do Prado porque não é um apoio tímido, que eu tenho vergonha; é uma pessoa que está junto comigo em um projeto, e fiz isso tudo achando que dali poderia nascer um debate interessante”, explicou o filho de Jair Bolsonaro. Ele defendeu a legitimidade de sua escolha e a transparência de seu apoio.

Eduardo também criticou a postura de Salles, acusando-o de “virar meme” e de ser uma “biruta de vento político”, sugerindo que a conduta do deputado do Novo estaria minando sua própria credibilidade no cenário político. “Você está virando meme nas páginas, Salles, por causa dessa sua conduta de ser biruta de vento político. Não faça isso, cara. Você é quem, na última análise, está se desgastando”, pontuou Eduardo.

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