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PF investiga gestor que usou cargo falso para obter R$ 10 mi no Carnaval do Amapá

PF investiga gestor que usou cargo falso para obter R$ 10 mi no Carnaval do Amapá

Um gestor investigado pela Polícia Federal devido a aportes financeiros de aposentados no Banco Master prestou informações falsas sobre sua função pública ao solicitar um patrocínio milionário para o Carnaval. Jocildo Silva Lemos ocultou que ainda chefiava a previdência estadual ao buscar verbas para os desfiles em Macapá.

O caso expõe uma teia de relações políticas e administrativas no estado, envolvendo decisões sobre fundos previdenciários e repasses para festas populares.

Acumulação de funções e investigação federal

Jocildo acumulou a direção-presidente da Amprev e a presidência da Liesap. Nessa condição dupla, ele participou de decisões que destinaram centenas de milhões de reais dos servidores para o Banco Master, ao mesmo tempo em que comandava a liga carnavalesca.

A atuação simultânea motivou a instauração de um inquérito pelo Ministério Público do Amapá para apurar possíveis práticas de improbidade administrativa e conflito de interesses. A investigação da Polícia Federal também recai sobre a regularidade dos aportes financeiros realizados pela previdência estadual.

Omissão de cargo para liberação de verba

Documentos oficiais obtidos pela reportagem da Folha revelam que o dirigente afirmou ser ex-presidente da Amprev ao submeter a proposta de patrocínio à Secretaria de Turismo. A declaração buscava adequação a decretos estaduais que proíbem parcerias com entidades dirigidas por ocupantes de cargos na mesma esfera de governo.

Apesar da tentativa de desvinculação nos papéis apresentados em 25 de junho de 2025, registros oficiais da mesma data confirmavam que ele permanecia à frente do órgão previdenciário. O comitê estadual aprovou a liberação dos recursos solicitados sem exigências de cotações de mercado detalhadas.

Conexões políticas e desdobramentos administrativos

A nomeação de Jocildo para o comando da previdência ocorreu por indicação do senador Davi Alcolumbre e apoio do governo estadual. Além das ligações administrativas, a gestão da entidade de samba e do fundo previdenciário compartilhava outros nomes em sua estrutura operacional e jurídica.

Após operações da Polícia Federal e repercussão das investigações, o gestor deixou o cargo na previdência, mas manteve suas funções na liga de escolas de samba. O governo do estado e a defesa dos citados negaram irregularidades nos convênios firmados para o evento cultural.

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