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Deflação do Igp-m em julho marca segunda queda consecutiva e alivia pressão sobre preços

Deflação do Igp-m em julho marca segunda queda consecutiva e alivia pressão sobre preços
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), um dos principais indicadores da inflação no Brasil, registrou uma deflação de 1,16% em julho deste ano, conforme dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Esta é a segunda queda consecutiva do índice, que já havia apresentado um recuo de 0,50% em junho. A sequência de deflações sinaliza um alívio na pressão sobre os preços e traz um respiro para diversos setores da economia, especialmente para contratos de aluguel e outros reajustes que utilizam o IGP-M como base.

O IGP-M e sua relevância econômica

O IGP-M é amplamente conhecido como a “inflação do aluguel” por ser o indexador mais utilizado para reajustes de contratos imobiliários no país. No entanto, sua importância vai muito além, influenciando também o cálculo de tarifas públicas, contratos de serviços e até mesmo o planejamento de investimentos. A metodologia de cálculo do IGP-M abrange três subíndices principais: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação de preços no atacado; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que reflete o varejo; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que acompanha os custos do setor de construção civil. A deflação em julho, portanto, indica uma desaceleração generalizada nos custos de produção e nos preços finais ao consumidor.

Detalhes da composição da queda de preços

A análise dos subíndices revela as forças por trás da deflação do IGP-M em julho. O principal motor da queda foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que apresentou um recuo significativo de 1,74% no mês. Este subíndice, que tem o maior peso na composição do IGP-M (60%), reflete a dinâmica dos preços no atacado, desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens intermediários. A retração do IPA sugere uma menor pressão de custos para as indústrias e, consequentemente, para o varejo, o que pode se traduzir em preços mais estáveis ou em queda para o consumidor final nos próximos meses.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa a variação de preços no varejo e tem peso de 30% no IGP-M, também registrou uma leve deflação de 0,01%. Embora modesta, essa queda indica que a desaceleração de preços já começa a ser percebida nas prateleiras dos supermercados e no custo de serviços para as famílias. Em contrapartida, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com peso de 10%, foi o único a registrar inflação, com alta de 0,62%. Esse aumento nos custos da construção civil pode ser atribuído a fatores específicos do setor, como a variação de preços de materiais e mão de obra, e mostra que nem todos os segmentos da economia estão seguindo a mesma tendência de desaceleração.

Acúmulo de inflação e perspectivas futuras

Apesar das duas quedas consecutivas em junho e julho, o IGP-M ainda acumula inflação no ano e nos últimos 12 meses. No acumulado de 2024, o índice registra uma alta de 2,08%. Já nos últimos 12 meses, a inflação acumulada é de 2,76%. É importante notar que essa taxa de 12 meses representa uma desaceleração em relação ao mês anterior, quando o IGP-M acumulava 3,16%. Essa tendência de queda na inflação acumulada é um sinal positivo, indicando que a pressão inflacionária de períodos anteriores está gradualmente se dissipando.

A coleta de preços para o cálculo do IGP-M de julho foi realizada entre os dias 21 de junho e 20 de julho deste ano. A continuidade da deflação pode ser um indicativo de que as políticas monetárias restritivas, como a alta taxa de juros, estão surtindo efeito na contenção da demanda e, consequentemente, na moderação dos preços. Para os consumidores e empresas, a expectativa é de um cenário mais previsível e com menor erosão do poder de compra, embora a vigilância sobre os indicadores econômicos continue sendo fundamental. Para mais detalhes sobre o índice, você pode consultar a Agência Brasil.

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