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Ministério Público de Goiás aciona Ronaldo Caiado por emprego de Pms na segurança pessoal

Ronaldo Caiado recepciona, enquanto era governador de Goiás, policiais do estado em frente ao Palácio das Esmeraldas, sede do governo - Secretaria de Comunicação do Governo de Goiá
Reprodução Folha

O cenário político goiano e nacional ganha novos contornos com a recente ação movida pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) contra o pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado. A acusação central aponta para o uso considerado excessivo de policiais militares do estado na segurança pessoal do político e de seus familiares, configurando, segundo o órgão, um ato de improbidade administrativa que pode ter gerado enriquecimento ilícito e lesão ao erário público.

A iniciativa do MP-GO, protocolada pela promotora Leila Maria de Oliveira, solicita não apenas o ressarcimento aos cofres públicos dos valores gastos com a medida, mas também a suspensão dos agentes que, na visão do Ministério Público, extrapolam o que é previsto legalmente para a proteção de ex-governadores e seus dependentes. A ação judicial mira diretamente Ronaldo Caiado, sua esposa e ex-primeira-dama, Gracinha Caiado, e o coronel Marco Aurélio Godinho, atual secretário-chefe da Casa Militar de Goiás.

A Controvérsia em Torno do Efetivo Policial

A questão da segurança de Ronaldo Caiado ganhou destaque após a divulgação, pela imprensa, de um documento que revelava a destinação de um pelotão de 51 policiais militares para sua proteção. O custo mensal apenas com os salários desses agentes foi estimado em R$ 797,5 mil, valor que não inclui acréscimos como funções comissionadas, gratificações e diárias, elevando ainda mais o montante despendido com recursos públicos.

A promotora Leila Maria de Oliveira argumenta que a manutenção de um efetivo tão robusto para fins de segurança pessoal, especialmente em um período de intensa atividade de pré-campanha eleitoral, desvia recursos que deveriam ser empregados no interesse público para finalidades privadas. Este é o cerne da acusação de improbidade administrativa e lesão ao erário, que busca proteger a integridade dos fundos estatais.

Antecedentes e a Portaria da Casa Militar

Questionado anteriormente sobre o tamanho de sua equipe de segurança, Ronaldo Caiado defendeu-se afirmando que “escolta não é mordomia”. Ele justificou a necessidade de proteção em razão de sua gestão no governo de Goiás ter atuado fortemente no combate ao crime organizado, o que, segundo ele, gerou ameaças e a demanda por um esquema robusto de segurança.

Um ponto crucial na argumentação do Ministério Público é a portaria assinada pelo coronel Marco Aurélio Godinho em 1º de abril, um dia após a renúncia de Caiado ao governo de Goiás para focar na corrida presidencial. Este documento estabeleceu novas regras para a segurança de ex-governadores, ampliando o rol de beneficiários para incluir familiares e permitindo que o ex-governador indicasse os policiais militares que comporiam a equipe, desde que houvesse disponibilidade.

A portaria também determinou que a Casa Militar do estado seria responsável pela “estrutura de transporte e hospedagem”, além de “demais recursos logísticos necessários à execução das medidas de segurança”. O benefício foi estendido por um período equivalente ao tempo em que o político exerceu o cargo de governador, desde que superior a três anos. Caiado, que governou por sete anos e três meses, se enquadra plenamente nessa condição.

Implicações e o Debate sobre o Uso de Recursos Públicos

Para o Ministério Público, a portaria de 1º de abril “ampliou indevidamente o rol de beneficiários da proteção estatal e possibilitou o emprego de recursos públicos para finalidades estranhas ao interesse público”. A ação judicial, portanto, não apenas questiona a dimensão da segurança, mas também a legalidade das normas que a sustentam, especialmente no contexto de uma pré-campanha eleitoral.

O caso de Ronaldo Caiado reacende um debate recorrente na política brasileira: o equilíbrio entre a segurança legítima de figuras públicas e a utilização responsável dos recursos do Estado. Em um país com demandas crescentes em áreas como saúde, educação e segurança pública para a população em geral, o uso de um grande contingente policial para proteção individual de políticos, sobretudo em períodos eleitorais, frequentemente gera críticas e questionamentos sobre a prioridade dos gastos públicos. A decisão judicial sobre esta ação poderá estabelecer precedentes importantes para a atuação de pré-candidatos e ex-governadores no futuro.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos deste caso e de outros temas relevantes para o cenário político e social do Brasil. Para se manter informado com análises aprofundadas e notícias contextualizadas, continue navegando em nosso portal, que se compromete com a informação de qualidade e a variedade de temas que importam para você.

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