PUBLICIDADE

Transunião, empresa de ônibus do PCC, repassou dinheiro a sobrinho de Marcola, revela investigação

Abraão Cruz/TV Globo
Abraão Cruz/TV Globo

Uma investigação aprofundada revelou que Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi beneficiário de repasses financeiros da Transunião Transportes S.A. A empresa de ônibus está sob suspeita de ser um dos principais veículos para a lavagem de dinheiro da facção criminosa em São Paulo.

As descobertas fazem parte do inquérito que culminou na Operação Vérnix, deflagrada em maio e que resultou na prisão da influenciadora Deolane Bezerra, entre outros alvos. O caso expõe a complexa teia de relações entre o crime organizado e setores aparentemente legítimos da economia, como o transporte público, levantando sérias questões sobre a infiltração de facções em serviços essenciais e a corrupção de agentes públicos.

Conexões Familiares e o Esquema de Lavagem de Dinheiro do PCC

Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, filho de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, é apontado pelos investigadores como um dos beneficiários diretos de esquemas elaborados para ocultar e movimentar recursos provenientes de atividades criminosas. A ligação familiar reforça a percepção de uma estrutura hierárquica e de confiança dentro da facção para a gestão de seus ativos ilícitos.

Os dados obtidos pela apuração indicam uma movimentação financeira expressiva, totalizando R$ 746 milhões em créditos efetivos em contas associadas ao esquema. Deste montante, uma parcela significativa, cerca de R$ 301.831, correspondendo a aproximadamente 40% do total, foi identificada como depósitos em dinheiro vivo sem a devida identificação da origem. Essa prática é um forte indício de lavagem de dinheiro PCC, utilizada para dar aparência de legalidade a fundos ilícitos.

Um repasse específico de R$ 50 mil feito diretamente pela Transunião a Leonardo foi rastreado, solidificando a suspeita de que a empresa não era apenas uma fachada, mas um elo ativo na cadeia de movimentação de capital do crime organizado. Além disso, mensagens interceptadas entre Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro, e outros envolvidos, citam Leonardo pelo codinome “L” como destinatário de valores determinados por seu pai, evidenciando a participação ativa e coordenada.

A Engrenagem da Transunião no Crime Organizado

A Transunião, que se tornou alvo da Operação Última Parada, não estaria conectada apenas à família de Marcola. A investigação revelou laços com outras figuras-chave do núcleo financeiro do PCC, como Everton de Souza, conhecido como “Player”. Ele é descrito pela Polícia Civil e pelo Ministério Público como o principal operador financeiro da organização, responsável por supervisionar os fluxos de dinheiro da facção.

“Player” foi detido no mês anterior, durante a mesma operação que levou à prisão de Deolane Bezerra e atingiu outros membros da família Camacho. A conexão entre ele e a Transunião é ilustrada pela transferência de um veículo de luxo para o nome de Lourival de França Monário, apelidado de “Orelha”, que atualmente preside a empresa de ônibus. Essa transação sugere uma rede de favores e controle que permeia a gestão da companhia.

Operação Última Parada: Desdobramentos e Prisões Chave

A Operação Última Parada, deflagrada na manhã de quinta-feira, 25 de maio, pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, visou desarticular o esquema de lavagem de dinheiro PCC no sistema de transporte público. A ação cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão, demonstrando a amplitude da investigação.

Entre os detidos estão o vereador da capital paulista Senival Moura, do PT, Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão” e diretor informal da Transunião, e Devanil de Souza Nascimento, o “Sapo”, motorista e homem de confiança do vereador. Os acusados enfrentam imputações por organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas, o que sublinha a gravidade da infiltração em esferas governamentais.

Outros alvos dos mandados de prisão incluem Lourival Monário (“Orelha”), o presidente da empresa, que teria sido nomeado pelo PCC para assegurar a movimentação de recursos ilícitos e que, atualmente, encontra-se na Itália, com pedido de inclusão na lista de procurados da Interpol. Leonel Moreira Martins, “Cabeça Branca”, supervisor operacional, é apontado como o interlocutor direto da facção dentro da Transunião, transmitindo ordens e garantindo a execução dos planos criminosos.

Impacto no Transporte Público e a Resposta das Autoridades

A Transunião desempenha um papel crucial no sistema de transporte da capital paulista, operando 51 linhas de ônibus e transportando diariamente cerca de 389 mil passageiros, principalmente na Zona Leste. A revelação de sua ligação com o PCC e esquemas de lavagem de dinheiro gera grande preocupação quanto à integridade do serviço público e à segurança dos cidadãos.

Em resposta à gravidade das acusações e para mitigar os riscos à continuidade do serviço e à transparência da gestão, a Justiça determinou o afastamento imediato de todos os diretores e administradores da Transunião. Adicionalmente, na tarde da mesma quinta-feira, a Prefeitura de São Paulo anunciou uma intervenção na empresa, visando assegurar a manutenção das operações e minimizar qualquer impacto à população que depende diariamente de suas linhas. Essa medida emergencial busca restabelecer a ordem e a confiança em um setor vital para a cidade.

Para mais informações sobre as operações contra o crime organizado e os desdobramentos desta e de outras investigações, continue acompanhando o M1 Metrópole. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, oferecendo uma leitura aprofundada dos fatos que impactam a sociedade brasileira.

Leia mais

PUBLICIDADE