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Bebida viral de magnésio para o sono: especialistas alertam sobre eficácia limitada e riscos

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A busca por soluções naturais para melhorar a qualidade do sono tem impulsionado diversas tendências nas redes sociais. Entre elas, o “Sleepy Girl Mocktail” — um coquetel sem álcool à base de magnésio e suco de cereja azeda — viralizou como uma rotina de higiene do sono. No entanto, a popularidade da bebida vem acompanhada de um alerta de especialistas: a eficácia pode ser limitada e a automedicação, arriscada.

Enquanto muitos usuários do TikTok e outras plataformas celebram os supostos benefícios relaxantes do mocktail, profissionais da saúde recomendam cautela. Eles enfatizam que, embora o magnésio tenha um papel importante no corpo, a estratégia isolada e sem acompanhamento médico pode não resolver problemas de sono mais profundos e, em alguns casos, até trazer riscos à saúde.

A ciência por trás do magnésio e o sono

O magnésio é um mineral essencial envolvido em mais de 300 reações bioquímicas no corpo, incluindo a regulação do sistema nervoso. Estudos indicam que ele pode, de fato, contribuir para o relaxamento. Conforme explica o psiquiatra Marcus Renato Castro Ribeiro, do Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo), o magnésio atua freando a excitabilidade neuronal e favorecendo neurotransmissores inibitórios, como o GABA (ácido gama-aminobutírico), que bloqueia receptores que mantêm o cérebro em estado de alerta.

Além disso, a substância pode influenciar a elevação da melatonina, o hormônio do sono, e a redução do cortisol, conhecido como hormônio do estresse. A médica Verônica El Afiouni, endocrinologista da plataforma INKI, detalha que os mocktails de magnésio geralmente combinam tipos específicos do mineral, como magnésio quelato, bisglicinato ou L-treonato, com outros ingredientes calmantes, a exemplo da L-teanina, triptofano ou inositol.

Eficácia questionável e benefícios variados

Apesar da base biológica sólida para a atuação do magnésio no sono, a comunidade científica ainda considera os estudos sobre a eficácia dos mocktails como inconclusivos. El Afiouni ressalta que o benefício mais claro parece ocorrer em pessoas que já possuem deficiência desse mineral, uma condição que não é incomum na população brasileira. Para indivíduos com níveis normais de magnésio, o efeito pode ser mais discreto ou até inexistente.

Outros componentes presentes em alguns desses coquetéis, como o suco de cereja azeda, são apontados por conter melatonina. Contudo, o neurologista Lucio Huebra, médico do sono e integrante do Conselho Administrativo da Academia Brasileira do Sono, adverte que a baixa quantidade desse hormônio encontrada nos alimentos tem pouco impacto na indução do sono. Ele sugere que o consumo da bebida seja encarado como um ato “recreativo”, parte de um ritual de relaxamento noturno, e nunca como uma solução medicamentosa, devendo ser ingerido de 30 a 60 minutos antes de dormir para ter qualquer efeito comportamental.

Os riscos da automedicação e a influência das redes

A viralização de tendências de saúde nas redes sociais, como o “Sleepy Girl Mocktail”, tem levado muitas pessoas à automedicação. O psiquiatra Marcus Renato Castro Ribeiro observa que pacientes chegam aos consultórios já suplementando o mineral por conta própria, influenciados por “vídeos no TikTok com milhões de visualizações”. Essa prática, no entanto, é perigosa.

O magnésio provoca efeitos fisiológicos reais e, por isso, sua suplementação deve ser feita apenas com prescrição e acompanhamento médico. Pacientes com condições específicas, como doença renal, são particularmente vulneráveis aos riscos da automedicação, que pode desequilibrar o organismo e agravar quadros de saúde existentes. A dosagem e o tipo de magnésio são cruciais para a segurança e a eficácia, e apenas um profissional pode determinar a necessidade e a forma correta de uso.

Higiene do sono: a abordagem mais eficaz

Diante da eficácia limitada dos mocktails de magnésio e dos riscos da automedicação, especialistas reiteram que a melhor abordagem para problemas de sono envolve mudanças de hábito mais profundas e uma rotina de higiene do sono bem estabelecida. Isso inclui criar um ambiente propício para dormir, evitar telas antes de deitar, manter horários regulares para dormir e acordar, e praticar atividades relaxantes.

A melatonina, por exemplo, é um suplemento que, segundo a médica Verônica El Afiouni, apresenta evidências mais fortes para tratar insônia inicial (dificuldade em pegar no sono), jetlag e alterações gerais do ritmo circadiano, mas também deve ser usada sob orientação médica. Para informações mais detalhadas sobre a função do magnésio no organismo, você pode consultar fontes confiáveis como Tuasaude.

É fundamental que qualquer preocupação com o sono seja avaliada por um profissional de saúde. Apenas um médico pode diagnosticar a causa da insônia ou de outros distúrbios do sono e indicar o tratamento mais adequado, seja ele medicamentoso, comportamental ou uma combinação de ambos, garantindo segurança e resultados efetivos.

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