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Governo, empresas e sindicatos firmam acordo por direitos trabalhistas em grandes eventos no país

© Fernando Frazão/Agência Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil

Em um movimento significativo para a garantia de direitos trabalhistas e sociais, o governo federal, em conjunto com centrais sindicais, representantes patronais e diversas instituições parceiras, assinou na tarde desta quinta-feira (25) o Pacto pelo Trabalho Decente em Grandes Eventos. A iniciativa representa um marco na busca por condições dignas para os milhões de profissionais que atuam em um dos setores mais dinâmicos e economicamente relevantes do país.

O acordo abrange toda a vasta cadeia produtiva de eventos de grande porte, que inclui desde shows e festivais de música até eventos esportivos, feiras e congressos. Profissionais de áreas essenciais como produção, montagem, segurança, limpeza, alimentação, logística e demais serviços de apoio estão contemplados, visando assegurar que a grandiosidade dos espetáculos e encontros não ofusque a necessidade de respeito aos direitos fundamentais de quem os torna possíveis.

O Compromisso com a Dignidade no Setor de Eventos

A assinatura do pacto reflete uma crescente preocupação com a informalidade e a precarização das condições de trabalho em um setor que, muitas vezes, opera com mão de obra temporária e em regimes flexíveis. Para Márcia Adão, secretária adjunta para assuntos de acessibilidade da União Geral dos Trabalhadores (UGT), este é o ponto de partida para a criação de um arcabouço legal robusto.

“De nada adianta existir eventos grandiosos se não tivermos condições dignas de trabalho”, ponderou a sindicalista, sublinhando a urgência de que esses profissionais tenham acesso pleno a direitos sociais e trabalhistas básicos. A medida busca transformar a realidade de muitos trabalhadores que, apesar de essenciais, frequentemente se encontram em situações de vulnerabilidade.

Arcabouço Legal e a Responsabilidade Compartilhada

O Brasil já possui uma legislação trabalhista abrangente, mas o desafio reside na sua aplicação efetiva em contextos específicos, como o dos grandes eventos. Ivo Dall´Acqua Júnior, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (Fecomércio-SP), destacou a importância de adequar as ações para garantir as melhores condições.

“O que nós precisamos é adequar cada ação para que tudo saia da melhor forma. Sempre pensando no melhor: na segurança, no bem-estar e, lá na frente, no resultado”, afirmou Dall´Acqua Júnior. Ele ressaltou que a movimentação de pessoas para participar de eventos culturais, esportivos ou sociais impulsiona uma cadeia econômica que gera crescimento, oportunidades e, crucialmente, distribuição de renda.

O ministro do Trabalho e Emprego, Rogério Marinho, enfatizou que o sucesso do Pacto pelo Trabalho Decente depende de um esforço coletivo. Ele salientou a necessidade de participação social, o envolvimento ativo de sindicalistas e o comprometimento inabalável dos empresários. “Para executar isso, não basta a vontade do ministério, não basta a vontade do presidente Lula, não basta a vontade do Ministério Público, dos auditores e auditoras. É preciso que cada CNPJ do nosso país assuma essa responsabilidade”, declarou o ministro, reforçando a ideia de que a dignidade no trabalho é uma responsabilidade compartilhada.

A Potência Econômica e Social da Cultura

A relevância do setor de eventos para a economia brasileira é inegável. O pacto foi assinado por importantes entidades como o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Ministério da Cultura (Minc), representantes empresariais e sindicais, além do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Márcio Tavares, ministro interino da Cultura, destacou o papel do Brasil como um dos maiores produtores de grandes eventos globais. “Os festivais de música, o carnaval, os shows, as peças literárias, os eventos esportivos movimentam bilhões de reais, empregam centenas de milhares de trabalhadores”, afirmou. Para ele, essa imensa potência econômica deve vir acompanhada de dignidade, formalização e proteção social para todos os envolvidos.

Dados compilados em 2025 pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape) revelam que o setor de eventos no Brasil emprega cerca de 12,7 milhões de pessoas e representa mais de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Esses números evidenciam a magnitude do impacto do pacto, que busca solidificar as bases para um crescimento sustentável e justo.

Próximos Grandes Eventos e o Desafio da Implementação

A agenda de grandes eventos no Brasil é intensa, e o pacto chega em um momento crucial. Para o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027, estão previstos eventos de projeção nacional e internacional, que servirão como um teste e uma oportunidade para a consolidação das novas diretrizes:

  • Rock in Rio em setembro no Rio de Janeiro (RJ);
  • Oktoberfest em outubro em Blumenau (SC);
  • Festival Primavera Sound em dezembro em São Paulo (SP);
  • Carnaval em fevereiro em diversas cidades;
  • Lollapalooza Brasil em março de 2027 em São Paulo (SP);
  • Conferência da Década da Ciência Oceânica em abril de 2027 no Rio de Janeiro (RJ);
  • Copa do Mundo Feminina da FIFA em junho e julho de 2027 em oito capitais.

A experiência anterior, como as determinações judiciais para garantir trabalho digno no Rock in Rio, demonstra que a busca por melhores condições é uma demanda contínua. O pacto, portanto, não é apenas uma declaração de intenções, mas um compromisso formalizado para transformar a realidade do trabalho em um dos setores mais vibrantes da economia brasileira, assegurando que o brilho dos eventos se estenda à dignidade de seus trabalhadores.

Para mais detalhes sobre o Pacto pelo Trabalho Decente e outras notícias relevantes, acompanhe a cobertura completa. O M1 Metrópole segue comprometido em trazer informações aprofundadas e contextualizadas sobre os temas que impactam a sua vida e a sociedade. Continue conosco para se manter sempre bem informado sobre economia, cultura, direitos e muito mais.

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