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Uso de canetas emagrecedoras na menopausa: o que dizem os estudos sobre eficácia e metabolismo

Indranil Mukherjee/AFP
Indranil Mukherjee/AFP

O impacto das mudanças hormonais no peso feminino

A transição para a menopausa, período marcado por profundas alterações hormonais, representa um dos desafios mais complexos para a saúde metabólica feminina. Dados recentes indicam que a busca por medicamentos agonistas do GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, tem crescido significativamente entre mulheres na faixa dos 47 anos, idade que frequentemente coincide com a perimenopausa.

Estudos apontam que entre 60% e 70% das mulheres de meia-idade relatam ganho de peso nesta fase. A estimativa é de um aumento médio de 0,7 kg por ano, impulsionado principalmente pela queda do estrogênio. Este hormônio, essencial para a saúde feminina, atua como um regulador metabólico, e sua redução altera a distribuição de gordura corporal, favorecendo o acúmulo na região abdominal.

Por que o metabolismo muda na meia-idade

A queda do estrogênio não afeta apenas a estética, mas compromete funções vitais de proteção orgânica. Segundo especialistas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o hormônio é fundamental para prevenir a resistência insulínica, hipertensão e dislipidemia, além de auxiliar na oxidação de gorduras.

O cenário é agravado por fatores fisiológicos adicionais. O ginecologista José Maria Soares Júnior, da FMUSP, destaca que a diminuição hormonal dificulta a manutenção da massa magra e eleva os níveis de grelina, o hormônio responsável por estimular o apetite. Essa combinação cria um ambiente propício para o ganho de peso, tornando o controle metabólico um desafio clínico constante.

Eficácia dos medicamentos em diferentes fases hormonais

Apesar das mudanças metabólicas, pesquisas científicas trazem resultados promissores sobre o uso de agonistas do GLP-1. O estudo Surmount, que analisou o uso de tirzepatida, demonstrou que a redução de peso ocorre de forma consistente em todas as fases reprodutivas, sem diferenças estatisticamente significativas entre elas.

Da mesma forma, o estudo Step Up, publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, reforçou que a semaglutida — princípio ativo de medicamentos como o Ozempic — promove uma perda de peso significativa. Um dado relevante é que a maior parte da redução de massa corporal observada foi de gordura, incluindo a gordura infiltrada no músculo, o que melhora a composição corporal geral.

Segurança e integração com outros tratamentos

A segurança do uso desses fármacos em mulheres de meia-idade é um ponto central nas discussões médicas. Gerentes médicas da indústria farmacêutica ressaltam que não há, até o momento, relatos de interações medicamentosas graves entre a semaglutida e tratamentos comuns nessa faixa etária, como estatinas para controle de colesterol ou anti-hipertensivos.

Além disso, pesquisas observacionais realizadas pela Mayo Clinic sugerem que mulheres na pós-menopausa que combinam a reposição hormonal com o uso de semaglutida podem apresentar uma resposta até 35% superior na perda de peso. Contudo, especialistas reforçam que o acompanhamento médico individualizado é indispensável para avaliar riscos e benefícios.

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