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Uso de canabidiol em cães: o que a ciência diz sobre benefícios e riscos

Uso de canabidiol em cães: o que a ciência diz sobre benefícios e riscos
Pablo Delcan/NYT

A ascensão do canabidiol no mercado pet

O uso do canabidiol (CBD) para o manejo de dores, quadros de ansiedade e estresse consolidou-se como uma prática comum na rotina de muitos tutores. Com a popularização da substância em produtos voltados para humanos, cresceu também a curiosidade e a busca por alternativas terapêuticas similares para animais de estimação. Nas redes sociais, é frequente encontrar vídeos e relatos de proprietários que administram óleos ou petiscos à base de CBD a seus cães, atribuindo ao composto melhoras em comportamentos agressivos ou alívio de dores crônicas, como as causadas pela artrite.

No entanto, a prática acende um alerta importante na comunidade veterinária. Especialistas ressaltam que, embora o CBD possua potencial terapêutico, a transposição do uso humano para o animal deve ser feita com extrema cautela. A substância, extraída do cânhamo e livre dos efeitos psicoativos do THC, ainda carece de estudos clínicos robustos que comprovem sua eficácia e segurança a longo prazo em cães.

O abismo entre a popularidade e a evidência científica

A disponibilidade de produtos no mercado avançou em um ritmo significativamente superior ao das pesquisas científicas. Segundo dados de uma pesquisa realizada em 2025 com mais de 47 mil tutores, cerca de 7,3% dos entrevistados já ofereceram CBD aos seus animais, buscando tratar condições como demência, osteoartrite e convulsões. Contudo, a farmacêutica Madeline Droog, do Hospital Veterinário Universitário da Texas A&M, aponta que grande parte dos estudos atuais é de curta duração e, por vezes, financiada por empresas do próprio setor, o que exige um olhar crítico sobre os resultados.

Em relação ao tratamento de convulsões, estudos com 51 cães mostraram que, embora o CBD possa reduzir o número de dias com crises, não houve uma diferença estatisticamente significativa na redução geral dos episódios quando comparado ao grupo que recebeu placebo. Cenário semelhante ocorre no tratamento da dor crônica e da ansiedade, onde os resultados ainda são inconclusivos ou modestos, não se configurando como uma solução revolucionária para as patologias tratadas.

Riscos, regulação e segurança do animal

Um dos maiores desafios para os veterinários é a falta de uma regulação rigorosa sobre esses produtos. Como não passam pelos mesmos testes de segurança e eficácia exigidos para medicamentos convencionais — como os realizados pela FDA nos Estados Unidos —, não há garantia de que o conteúdo do frasco corresponda ao rótulo. A contaminação por metais pesados ou a presença de níveis indesejados de THC, que pode ser tóxico para cães, representam riscos reais aos pets.

Além da incerteza sobre a composição, o uso do CBD pode trazer efeitos colaterais. Pesquisas indicam que a substância pode elevar os níveis de enzimas hepáticas, sinalizando uma possível sobrecarga ao fígado. Outras reações adversas relatadas incluem náuseas, vômitos, salivação excessiva, perda de apetite e desequilíbrio. Por isso, a recomendação dos especialistas é clara: qualquer intervenção deve ser discutida com um médico veterinário de confiança, que possa monitorar a saúde do animal e avaliar a necessidade real do tratamento.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos das pesquisas sobre saúde animal e bem-estar pet, trazendo sempre informações fundamentadas para que você tome as melhores decisões pelo seu companheiro. Continue conosco para mais conteúdos aprofundados sobre ciência, comportamento e atualidades.

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