PUBLICIDADE

Teologia do domínio ganha força no Brasil com avanço político evangélico

Teologia do domínio ganha força no Brasil com avanço político evangélico
Pedro Ladeira - 19.jul.19/Folhapress

O cenário político brasileiro, marcado pela crescente influência de lideranças religiosas, trouxe ao centro do debate público o conceito de teologia do domínio. A ideia, que tem ganhado tração em redes sociais e grupos de mensagens, defende que cristãos possuem um mandato divino para ocupar e exercer controle sobre todas as esferas da vida pública e das instituições civis.

A ascensão do projeto político evangélico

A presença desse pensamento tornou-se mais visível a partir de 2018, com a eleição de Jair Bolsonaro (PL) para a Presidência da República. O governo adotou uma retórica alinhada a valores conservadores, utilizando o lema “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. A estratégia incluiu a nomeação de um ministro identificado como “terrivelmente evangélico” para o Supremo Tribunal Federal, consolidando uma aliança entre pautas morais e o exercício do poder estatal.

Especialistas apontam que o fenômeno não é isolado, mas parte de uma articulação que busca consolidar a visão cristã como diretriz para o Estado. O objetivo central, segundo analistas, é transpor a influência das igrejas para a estrutura administrativa e legislativa do país, impactando políticas públicas e a legislação vigente.

Origens e fundamentos da doutrina

Embora o debate seja atual no Brasil, as raízes do movimento remontam ao início do século 20, nos Estados Unidos. Segundo Magali Cunha, pesquisadora do Iser (Instituto de Estudos da Religião), o embrião dessa corrente surgiu entre calvinistas que buscavam proteger a fé cristã das transformações trazidas pela Revolução Industrial, vistas como ameaças à moralidade tradicional.

A partir da Segunda Guerra Mundial, o conceito evoluiu para o que hoje é conhecido como dominionismo. Essa vertente utiliza uma interpretação específica do livro de Gênesis, na qual Deus concede ao homem o poder de dominar a criação. Para os adeptos, essa interpretação transcende o âmbito espiritual e se traduz em um dever político de “reconquistar” territórios e instituições que estariam sob influência do que definem como “mal”.

Impactos na democracia e no Estado laico

O sociólogo Rodrigo Toniol, colunista da Folha, observa que a lógica da “batalha espiritual” é o motor que impulsiona a ocupação desses espaços. Ao classificar instituições e esferas sociais como campos de disputa entre o bem e o mal, o movimento justifica a necessidade de uma atuação política agressiva. Essa visão, contudo, gera alertas entre juristas e cientistas políticos sobre a preservação do Estado laico.

A preocupação central reside no fato de que a imposição de uma cosmovisão religiosa sobre a legislação nacional pode restringir a pluralidade democrática. À medida que o debate avança, a sociedade brasileira se vê diante do desafio de equilibrar a liberdade de expressão religiosa com a necessidade de manter as instituições públicas neutras e representativas de toda a diversidade da população.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos dessa articulação política e seus reflexos na sociedade brasileira. Continue conosco para análises aprofundadas sobre os temas que moldam o futuro do país, sempre com o compromisso de levar até você uma informação contextualizada, precisa e transparente.

Leia mais

PUBLICIDADE