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Tebet pede investigação de assessor de Lula e aponta ‘cheiro de irregularidade’ em contratos de trens de SP

Tebet pede investigação de assessor de Lula e aponta 'cheiro de irregularidade' em contratos de trens de SP
10.jul.26/Folhapress

A ex-ministra e candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), defendeu nesta quarta-feira (5 de agosto de 2026) a necessidade de uma investigação aprofundada sobre o ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. A declaração surge após a revelação de um empréstimo envolvendo Marcola e uma empresária sob investigação da Polícia Federal, levantando questionamentos sobre a integridade no círculo presidencial.

Em entrevista à Folha, Tebet foi enfática ao afirmar que a regra da transparência e da apuração deve valer para todos. “O que vale para Chico vale para Francisco. Qualquer suspeita precisa ser investigada”, declarou a ex-ministra, sublinhando que não pode haver qualquer sombra de dúvida sobre pessoas próximas ao presidente da República.

A Cobrança sobre o Entorno Presidencial

O caso de Marco Aurélio Santana Ribeiro ganhou destaque após informações sobre o pagamento de suas despesas pela empresária Roberta Luchsinger virem à tona. Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, é alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de tráfico de influência. Diante da pressão, Marcola pediu para se afastar da campanha presidencial.

Simone Tebet ressaltou que a ocupação de um cargo público acarreta uma responsabilidade inerente, exigindo conduta ilibada. Ela defendeu tanto o afastamento do assessor quanto a abertura de uma investigação rigorosa, pautada pela transparência, ampla defesa e contraditório. “Sem pré-julgamentos, mas que se investigue, que ele faça sua defesa. Acredito que tem seus argumentos e que vá fazer os esclarecimentos devidos”, ponderou a candidata.

A exigência de Tebet reflete a crescente demanda por ética e clareza na administração pública, especialmente em um cenário político sensível. A integridade dos auxiliares próximos ao chefe de Estado é vista como um pilar fundamental para a credibilidade do governo e das instituições democráticas.

O Cenário dos Trens Paulistas e as Suspeitas

Além das questões envolvendo o governo federal, Tebet também direcionou suas críticas à gestão estadual de São Paulo, especificamente em relação aos contratos de concessão das linhas de trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Ela defendeu a abertura de um procedimento investigatório por parte do Ministério Público para apurar as condições dessas concessões.

A declaração da ex-ministra ocorre em um contexto de instabilidade no sistema ferroviário paulista. Esta quarta-feira marcou o segundo dia de greve de ferroviários das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade da CPTM. Os trabalhadores buscam garantias de manutenção de seus empregos em meio ao processo de concessão dos ramais, temendo demissões em massa.

Recentemente, o sistema de trens de São Paulo foi palco de incidentes graves, incluindo uma falha no fornecimento de energia e um incêndio em uma composição, que resultaram na paralisação de diversas linhas. Esses episódios acentuam a preocupação com a qualidade e a segurança dos serviços oferecidos à população.

Privatizações sob Escrutínio e a Posição de Tebet

Para Tebet, os problemas recorrentes no sistema de trens, somados a outras questões como as envolvendo a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), reforçam a urgência de uma investigação aprofundada sobre as privatizações conduzidas pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A candidata ao Senado expressou sua desconfiança em relação a esses processos.

“No geral, essa sequência de episódios exige por parte do Ministério Público uma vigilância, uma abertura de procedimento para investigar o que está acontecendo com as últimas privatizações em São Paulo”, afirmou Tebet. Ela manifestou uma postura crítica a privatizações que, em suas palavras, “cheiram mal, que têm indícios de irregularidade, de enriquecimento ilícito por parte de alguém. Alguém está ganhando nessa história”.

A fala da ex-ministra insere-se em um debate mais amplo sobre o modelo de privatizações no Brasil, que busca equilibrar a eficiência da gestão privada com a garantia do interesse público e a fiscalização rigorosa dos contratos. A transparência e a ausência de suspeitas são elementos cruciais para a legitimidade desses processos, especialmente quando envolvem serviços essenciais à população.

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