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SUS passa a oferecer teste genético para detecção de câncer de mama

14.fev.22/Folhapress
14.fev.22/Folhapress

Avanço na oncologia pública brasileira

O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um passo fundamental na estratégia de combate ao câncer de mama no Brasil. Uma portaria publicada nesta quarta-feira (13) no Diário Oficial da União oficializou a inclusão do teste genético para a identificação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 no rol de exames ofertados pela rede pública. A medida visa identificar a predisposição hereditária à doença, permitindo um acompanhamento clínico mais preciso e personalizado para milhares de pacientes.

A determinação estabelece um prazo de até 180 dias para que o sistema comece a disponibilizar o sequenciamento genético. O exame é capaz de detectar alterações que aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de tumores mamários e de ovário, possibilitando que estratégias de prevenção e tratamento sejam adotadas antes mesmo do agravamento dos quadros clínicos.

Impacto clínico e prevenção personalizada

A importância do teste genético ganhou projeção global em 2013, quando a atriz Angelina Jolie tornou pública a decisão de realizar uma mastectomia preventiva após identificar a mutação no gene BRCA1. O caso trouxe visibilidade para a importância do diagnóstico precoce e da medicina de precisão, que utiliza o perfil genético para guiar intervenções médicas.

Na prática, o resultado do exame pode alterar drasticamente a conduta terapêutica. Para pacientes que já possuem o diagnóstico, a identificação da mutação pode indicar tratamentos mais eficazes ou a necessidade de cirurgias preventivas. Além disso, o mapeamento genético beneficia familiares de pacientes, que podem ser rastreados preventivamente, criando um ciclo de cuidado que vai além da pessoa diagnosticada inicialmente.

Desafios e perspectivas para o futuro

Atualmente, o acesso a esse tipo de diagnóstico é restrito à rede particular, onde os valores variam entre R$ 1.000 e R$ 3.000. Segundo o médico Guilherme Novita Garcia, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a queda nos custos da tecnologia de sequenciamento nos últimos anos foi o fator determinante para viabilizar a incorporação ao SUS. O especialista ressalta que, embora a iniciativa seja um avanço, o sistema público ainda enfrenta desafios, como a ausência de cobertura para cirurgias preventivas de grande porte.

A expectativa é que a coleta de dados em larga escala permita que o Ministério da Saúde compreenda a real prevalência dessas mutações na população brasileira. Esse mapeamento servirá de base para futuras políticas públicas, servindo como argumento para a inclusão de novas medicações e procedimentos cirúrgicos no rol de atendimento do SUS. A medida alinha o Brasil às diretrizes internacionais da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), que recomenda o rastreio genético para mulheres com diagnóstico recente de câncer de mama até os 65 anos.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos da implementação desta portaria e os avanços na assistência oncológica no país. Continue conectado ao nosso portal para se manter informado sobre saúde, ciência e políticas públicas que impactam diretamente a vida dos brasileiros.

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