A investigação que apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo o deputado federal Antônio Cezar Correia Freire, o Cezinha de Madureira, ganhou um novo capítulo com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado autorizou diligências de busca e apreensão contra o parlamentar e outros envolvidos, estabelecendo uma conexão direta entre o político e a apreensão de R$ 510 mil em espécie no Aeroporto de Congonhas, ocorrida em 25 de agosto.
A conexão entre a bagagem e o gabinete
Segundo os documentos da decisão, o montante em dinheiro vivo estava na bagagem de mão de Valéria Rodrigues Linhares, identificada como esposa do deputado. A apreensão ocorreu no momento em que ela embarcava com destino a Brasília. O episódio, que inicialmente parecia um caso isolado de transporte de valores, tornou-se peça-chave para a Polícia Federal ao ser cruzado com dados de outras investigações.
A defesa de Valéria chegou a alegar, na ocasião, que o montante seria fruto de honorários advocatícios e que a comprovação fiscal seria apresentada posteriormente. No entanto, a PF encontrou em dispositivos eletrônicos apreendidos contratos de honorários de êxito que previam pagamentos vultosos, chegando a R$ 2 milhões, o que levantou suspeitas sobre a forma como esses valores estariam circulando.
Estrutura de suposta influência no Judiciário
A investigação aponta para uma atuação articulada entre três figuras centrais: a advogada Mariângela Fialek, responsável pela captação de causas; Valéria Rodrigues Linhares; e o próprio deputado Cezinha de Madureira. O grupo é suspeito de comercializar influência junto a tribunais superiores, utilizando contratos de advocacia como fachada para movimentações financeiras suspeitas.
O ministro Flávio Dino destacou que a apreensão do dinheiro em espécie é um elemento relevante, pois a prática dificultaria a rastreabilidade dos recursos. Apesar da gravidade das acusações, a decisão ressalta que não há indícios de que ministros dos tribunais superiores tenham solicitado ou recebido qualquer vantagem indevida. Os magistrados são citados apenas como alvos da influência que teria sido oferecida pelos investigados.
Unificação dos procedimentos no Supremo
Ao reconhecer a conexão probatória entre a apreensão em Congonhas e as apurações sobre o deputado, Dino determinou que todos os procedimentos investigativos fossem remetidos ao STF. A medida visa concentrar a supervisão do caso na Corte, garantindo uma análise mais ampla sobre os possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência.
A defesa de Cezinha de Madureira, por meio de nota, afirmou que o parlamentar confia plenamente na Justiça e mantém uma conduta ilibada. Os advogados reforçaram que o deputado está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e que, com o devido acesso aos autos, ficará demonstrado que nenhuma irregularidade foi cometida pelo parlamentar.
O M1 Metrópole segue acompanhando o desenrolar das investigações e os próximos passos do inquérito no STF. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste e de outros temas relevantes da política nacional acessando nosso portal diariamente.