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Médico perde visão e parte da perna após queda do 7º andar ligada ao uso de zolpidem

Médico perde visão e parte da perna após queda do 7º andar ligada ao uso de zolpidem
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A rotina exaustiva de plantões e a dificuldade para dormir levaram o médico Vitor Piva, hoje com 34 anos, a um cenário de consequências irreversíveis. Em 29 de junho de 2022, após uma noite de trabalho intenso e a ingestão de múltiplos comprimidos de zolpidem, ele sofreu uma queda do sétimo andar de seu apartamento em São Paulo. O acidente resultou na perda da visão e na amputação de parte da perna direita, transformando sua vida e acendendo um alerta sobre o uso indiscriminado do medicamento para insônia.

A história de Vitor, que na época tinha 30 anos, é um testemunho dramático dos riscos associados ao zolpidem, um fármaco cuja comercialização e uso têm crescido exponencialmente no Brasil, especialmente desde o início da pandemia de Covid-19. Seu relato não apenas expõe a vulnerabilidade individual diante da automedicação, mas também reflete um problema de saúde pública que tem mobilizado autoridades e especialistas.

A espiral do zolpidem: da insônia à dependência

A jornada de Vitor com o zolpidem começou durante a pandemia, quando o estresse dos plantões médicos em Cuiabá (MT) desencadeou uma insônia persistente. O medicamento, inicialmente eficaz em dose única, tornou-se um refúgio para o descanso necessário. Contudo, a mudança para São Paulo em fevereiro de 2022 e uma rotina ainda mais frenética, com plantões sucessivos e a solidão em casa, intensificaram o consumo.

O médico relata que a dose inicial já não fazia efeito, levando-o a aumentar a quantidade de comprimidos. Essa escalada resultou em episódios preocupantes, como compras online sem memória, hematomas inexplicáveis e o ato de andar pela casa enquanto dormia. Mesmo ciente dos perigos, Vitor continuou o uso, exemplificando a complexidade da dependência e a dificuldade de autoavaliação, mesmo para profissionais da saúde.

No dia do acidente, o barulho de uma obra próxima ao seu prédio na Consolação impediu o sono, mesmo após um plantão noturno. Um comprimido de zolpidem não foi suficiente, e a sequência de doses adicionais o levou a um apagão total. A reconstrução dos fatos é fragmentada, mas a queda da sacada do sétimo andar é atribuída ao estado de inconsciência induzido pelo medicamento. Ele só acordou na UTI, confrontado com as graves sequelas que mudariam sua vida para sempre.

Zolpidem em debate: um problema de saúde pública

O caso de Vitor Piva se insere em um contexto nacional de preocupação crescente com o zolpidem e outras

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