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Pelotão de 51 policiais militares de Goiás garante segurança de Ronaldo Caiado e família em São Paulo

Ronaldo Caiado recepciona, enquanto era governador de Goiás, policiais do estado em frente ao Palácio das Esmeraldas, sede do governo - Secretaria de Comunicação do Governo de Goiá
Reprodução Folha

A mudança do ex-governador de Goiás e atual presidenciável pelo PSD, Ronaldo Caiado, para São Paulo, trouxe consigo um aparato de segurança que tem gerado discussões e levantado questionamentos sobre o uso de recursos públicos. O político, que deixou o comando do estado em 31 de março, conta agora com um expressivo pelotão de 51 policiais militares goianos dedicados à sua proteção pessoal e de seus familiares na capital paulista. Este número, significativamente superior ao efetivo de um pelotão militar padrão e aos limites estabelecidos para ex-presidentes da República, reacende o debate sobre a extensão dos privilégios concedidos a ex-ocupantes de cargos eletivos e a transparência na gestão desses recursos.

Novas regras e a extensão da proteção

A estrutura de segurança de Ronaldo Caiado foi substancialmente ampliada por uma portaria assinada em 1º de abril, um dia após sua renúncia ao governo de Goiás. O documento, emitido pelo secretário-chefe da Casa Militar de Goiás, Marco Aurélio Godinho, estabeleceu novas diretrizes para a segurança de ex-governadores, incluindo a extensão da proteção aos familiares diretos. Uma das inovações mais notáveis da portaria é a prerrogativa concedida ao ex-governador de indicar quais policiais militares farão parte de sua equipe, desde que haja disponibilidade no efetivo. Essa medida, embora possa ser justificada pela confiança pessoal, levanta indagações sobre a autonomia institucional na designação de agentes. Além disso, a Casa Militar do estado fica responsável por cobrir integralmente os custos de transporte, hospedagem e demais recursos logísticos necessários para a execução das medidas de segurança, o que representa um encargo adicional significativo para o orçamento estadual. Este benefício é válido para políticos que exerceram o cargo de governador por mais de três anos, condição que Caiado cumpre, tendo governado por sete anos e três meses.

Custos elevados da **segurança** de Ronaldo Caiado

O efetivo de 51 policiais militares destinados à segurança de Ronaldo Caiado e sua família representa um custo mensal substancial e contínuo para os cofres públicos de Goiás. Documentos obtidos pela imprensa revelam que o gasto apenas com os salários desses agentes atinge a marca de R$ 797,5 mil por mês, sem considerar acréscimos de funções comissionadas, gratificações e as diárias de viagem e hospedagem, que elevam ainda mais o valor total. Essa despesa é particularmente relevante, dado que o político está agora em São Paulo, movimentando sua pré-campanha à Presidência, o que implica em custos logísticos e de pessoal fora do estado de origem. Para contextualizar a dimensão desse aparato, um pelotão militar no Brasil é geralmente composto por cerca de 40 soldados. Mais notavelmente, a legislação federal, que rege o mais alto cargo da República, prevê um limite de até oito servidores para a segurança e apoio de ex-presidentes após o término de seus mandatos, sendo quatro deles dedicados especificamente à segurança pessoal. A disparidade entre esses números evidencia a singularidade e o custo elevado do arranjo de segurança de Caiado, superando em mais de seis vezes o padrão para ex-chefes de Estado.

O debate sobre a segurança de ex-governadores

A questão da segurança de ex-governadores e seus familiares não é nova e frequentemente gera debate público sobre a adequação e a proporcionalidade do uso de recursos estatais. Embora a Constituição estadual de Goiás preveja o benefício da segurança para ex-governadores, as normas anteriores não especificavam um limite de pessoal, o que abria margem para interpretações. Um decreto de 2011, por exemplo, já alertava para a necessidade de parcimônia, sugerindo que dez agentes já seriam um “número por demais excessivo e dissociado da realidade das instituições policiais envolvidas”. A ampliação do efetivo para 51 policiais, especialmente em um contexto de pré-campanha presidencial e mudança para outro estado, reacende a discussão sobre a justificativa para tamanha estrutura e a percepção de “mordomia” por parte da população. O próprio político, Ronaldo Caiado, já defendeu publicamente que “ter escolta não é mordomia”, argumentando que a proteção é uma necessidade inerente ao cargo que ocupou e à sua exposição pública. Ele ainda indicou que o efetivo pode aumentar com a inclusão de policiais federais, reforçando a visão de que a segurança é uma prioridade inegociável. Contudo, a Secretaria da Casa Militar (Secami) de Goiás, ao ser questionada sobre o número de agentes e os gastos adicionais com transporte e hospedagem, afirmou não divulgar informações relacionadas ao efetivo por “questão de segurança institucional”. Essa postura, embora baseada em protocolos de segurança, não mitiga as preocupações sobre a transparência e a prestação de contas do uso de recursos públicos em um tema tão sensível.

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