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São Paulo inicia multivacinação com foco em sarampo e alerta para surto ativo

São Paulo inicia multivacinação com foco em sarampo e alerta para surto ativo
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A capital paulista e outras duas importantes cidades da Grande São Paulo dão início nesta segunda-feira (3) a uma ampla campanha de multivacinação, com um reforço significativo na imunização contra o sarampo. A iniciativa, que segue uma recomendação do Ministério da Saúde, visa conter um surto ativo da doença que já registra 15 casos confirmados no estado em 2026, tornando São Paulo o único estado brasileiro com cadeias de transmissão em andamento.

A ação é crucial diante dos índices de cobertura vacinal abaixo da meta e da identificação de casos em regiões de intensa mobilidade populacional. A mobilização busca não apenas proteger a população, mas também interromper a circulação do vírus e evitar a reintrodução da doença em nível nacional, um desafio que o Brasil já enfrentou no passado.

Campanha de Multivacinação em Detalhes na Região Metropolitana

A Prefeitura de São Paulo lança a Campanha de Multivacinação – De Olho na Carteirinha 2026, que se estenderá até 1º de setembro. Todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e as AMAs/UBSs Integradas da capital estarão disponíveis para a população. A medida mais urgente é a oferta da vacina tríplice viral para todos os moradores de 6 meses a 59 anos nas cidades de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, independentemente de terem sido vacinados anteriormente.

Além da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, a campanha disponibilizará a vacina tetraviral e todos os demais imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação. Isso inclui doses contra poliomielite, BCG, hepatite B, pentavalente, rotavírus, pneumocócica conjugada, meningocócicas C e ACWY, influenza, Covid-19, febre amarela, varicela, DTP, hepatite A e HPV, garantindo uma atualização completa da caderneta de vacinação.

Para facilitar o acesso, a prefeitura da capital promoverá um Dia D em 22 de agosto, quando as 483 UBSs da cidade estarão abertas para atendimento. Nos outros 642 municípios paulistas, a campanha estadual terá como foco a atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes de até 15 anos, adaptando a estratégia às necessidades locais.

O Cenário do Sarampo e a Origem dos Casos

O estado de São Paulo confirmou 15 casos de sarampo em 2026, sendo 12 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. O caso mais recente foi identificado em uma menina de 1 a 2 anos, residente de Guarulhos, sem histórico de vacinação. Este é o primeiro registro na cidade desde 2020, acendendo um alerta para a região metropolitana.

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo revelou que dois dos casos na capital foram importados – um de um viajante que esteve na Bolívia e outro da Guatemala. Os demais foram transmitidos dentro da própria cidade, com maior concentração na Zona Norte (Vila Medeiros e Vila Maria) e registros na Zona Sul (Capão Redondo e Jabaquara). Os pacientes de São Bernardo do Campo foram infectados após contato com casos da capital, evidenciando a interconexão da cadeia de transmissão.

O grupo de pessoas infectadas é diversificado, incluindo bebês de até 2 anos e adultos entre 20 e 50 anos. As autoridades de saúde ainda investigam a origem inicial da cadeia de transmissão, considerando que os casos estão relacionados à importação por conta do sequenciamento do tipo viral identificado. A interrupção da circulação do vírus depende de semanas sem novas confirmações.

Cobertura Vacinal Insuficiente e o Alerta das Autoridades

A preocupação com o sarampo é intensificada pelos baixos índices de cobertura da vacina tríplice viral. Em 2026, a primeira dose alcançou apenas 77,5% de cobertura e a segunda, 65,5%, números que estão significativamente abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Para contextualizar, em 2025, os percentuais eram mais altos, com 94% para a primeira dose e 84,4% para a segunda.

Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP), enfatiza a importância da campanha: “A campanha reforça a importância de manter a vacinação em dia, especialmente entre crianças e adolescentes. Neste momento, ampliar a cobertura da vacina contra o sarampo é fundamental para interromper a circulação do vírus e proteger a população”.

O Brasil recebeu o certificado de eliminação do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2016, mas perdeu esse reconhecimento em 2019, após registrar cerca de 18 mil casos. Embora tenha recuperado o certificado em 2024, o atual aumento de casos em São Paulo acende novamente o alerta para a necessidade de manter altas coberturas vacinais. Para mais informações e esclarecimento de dúvidas sobre vacinação, a Secretaria de Estado da Saúde disponibiliza o portal Vacina 100 Dúvidas.

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