O governo de São Paulo inicia na próxima segunda-feira, 3 de julho, uma campanha de multivacinação crucial para reforçar a proteção da população. A iniciativa visa não apenas intensificar o combate à poliomielite, mas também ampliar significativamente a imunização contra o sarampo, uma medida urgente após a confirmação do 15º caso da doença no estado em 2026. A ação reflete a preocupação das autoridades de saúde em conter o avanço de doenças imunopreveníveis e garantir a segurança sanitária, especialmente entre os mais vulneráveis.
A campanha é um chamado à responsabilidade coletiva, focando na atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes. Além disso, introduz um importante ajuste no calendário de rotina da poliomielite, buscando resgatar a alta cobertura vacinal que o Brasil já ostentou e que é essencial para a erradicação dessas enfermidades.
Avanço na Proteção Contra a Poliomielite
No que diz respeito à poliomielite, a campanha traz uma mudança estratégica: a adoção do segundo reforço da vacina inativada (VIP) no calendário de rotina. Com essa atualização, o esquema vacinal passa a ser composto por três doses da VIP, aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade, seguidas por dois reforços, aos 15 meses e aos 4 anos. Todo o processo será realizado exclusivamente com a vacina VIP, um passo importante para a modernização e eficácia do programa.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) também prevê a atualização temporária do esquema vacinal de crianças de até 6 anos, 11 meses e 29 dias que estejam com doses em atraso. Essa medida é vital para ampliar a proteção e evitar a reintrodução do poliovírus, que pode causar paralisia irreversível. Para dar suporte à campanha, o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP) recebeu 150 mil doses da vacina em julho e já distribuiu 187.350 doses aos municípios, com a meta ambiciosa de atingir 95% de cobertura vacinal.
Reforço Urgente Contra o Sarampo
O sarampo, uma doença altamente contagiosa, é o foco principal da expansão da campanha, impulsionada pela confirmação do 15º caso no estado este ano. A paciente é uma menina de Guarulhos, com idade entre 1 e 2 anos, que não possuía histórico de vacinação contra a doença. Este registro acendeu um alerta, especialmente porque é o primeiro caso em Guarulhos desde 2020, somando-se a 12 casos na capital paulista e dois em São Bernardo do Campo.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde recomendou a ampliação da oferta da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — para toda a população de 6 meses a 59 anos, independentemente da situação vacinal, em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A estratégia é crucial para interromper a circulação do vírus e evitar que o Brasil perca novamente o certificado de eliminação da doença, recuperado em 2024 após um período de surtos.
Cobertura Vacinal em Alerta
Os índices de cobertura da vacina tríplice viral no estado de São Paulo permanecem abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que é de 95% para ambas as doses. Neste ano, a primeira dose alcançou apenas 77,5% de cobertura, enquanto a segunda dose registrou 65,5%. Esses números representam uma queda significativa em comparação com 2025, quando os percentuais eram de 94% para a primeira dose e 84,4% para a segunda. A baixa adesão à vacinação cria um ambiente propício para a proliferação do vírus, colocando em risco a saúde pública.
Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP), enfatizou a gravidade da situação: “A campanha reforça a importância de manter a vacinação em dia, especialmente entre crianças e adolescentes. Neste momento, ampliar a cobertura da vacina contra o sarampo é fundamental para interromper a circulação do vírus e proteger a população”. A fala da especialista sublinha a urgência de reverter a tendência de queda na imunização.
O Cenário do Surto Ativo em São Paulo
São Paulo é, atualmente, o único estado brasileiro com casos confirmados de sarampo, caracterizando um surto ativo, segundo o Ministério da Saúde. Isso significa que há casos interligados formando uma cadeia de transmissão do vírus em uma ou mais regiões. Dos 15 casos confirmados, 12 ocorreram na capital, com maior concentração na Zona Norte (seis na Vila Medeiros e dois na Vila Maria), e outros dois na Zona Sul (Capão Redondo e Jabaquara).
Dois dos casos na capital foram importados, de pessoas que estiveram na Bolívia e na Guatemala, enquanto os demais foram transmitidos localmente. Em São Bernardo do Campo, os dois pacientes foram infectados após contato com casos da capital, evidenciando a rápida disseminação do vírus em áreas de alta circulação. O grupo de infectados abrange desde bebês de até 2 anos até adultos entre 20 e 50 anos, mostrando que a doença não escolhe idade quando a cobertura vacinal é baixa. A origem exata da cadeia de transmissão ainda está sob investigação, mas a relação com casos importados é um fator preocupante.
Ampla Oferta de Imunizantes e Informação
Além das vacinas contra poliomielite e sarampo, a campanha de multivacinação disponibilizará todos os imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação. Isso inclui vacinas essenciais como BCG, hepatite B, pentavalente, rotavírus, pneumocócica conjugada, meningocócicas C e ACWY, influenza, Covid-19, febre amarela, varicela, DTP, hepatite A e HPV. A oferta abrangente visa garantir que todas as crianças e adolescentes possam ter suas cadernetas atualizadas em um único momento.
Para auxiliar a população e combater a desinformação, a Secretaria de Estado da Saúde também mantém o portal Vacina 100 Dúvidas. Este recurso online reúne respostas às perguntas mais frequentes sobre vacinação, abordando temas como eficácia dos imunizantes, possíveis efeitos adversos, doenças imunopreveníveis e os riscos da não vacinação. A iniciativa é fundamental para empoderar os cidadãos com informações confiáveis e incentivar a adesão às campanhas.
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