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Senadores de 2018 enfrentam desafio da reeleição em cenário pós-onda antipolítica

4.mar.26 / Folhapress
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Quando as urnas foram abertas em outubro de 2018, o cenário político brasileiro testemunhou uma transformação notável. Impulsionada por um forte sentimento antipolítico, catalisado pela Operação Lava Jato e pela ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência, a eleição para o Senado Federal resultou na renovação de 46 das 54 vagas em disputa. Desses, dez eram nomes sem qualquer trajetória anterior em cargos eletivos, marcando uma ruptura com o perfil tradicional da Casa Legislativa.

Oito anos depois, com o fim do mandato se aproximando em 2027, muitos dos senadores eleitos sob essa “onda” se veem diante de um panorama político reconfigurado e desafiador. A promessa de renovação e a aversão à política tradicional, que os impulsionou ao poder, parecem ter dado lugar a uma dinâmica eleitoral mais conservadora, onde a estrutura partidária e as alianças consolidadas voltam a ditar as regras do jogo.

A Onda Antipolítica de 2018 e a Renovação no Senado

A eleição de 2018 foi um divisor de águas na política brasileira. O descontentamento popular com escândalos de corrupção e a busca por “novos nomes” resultaram em uma das maiores taxas de renovação parlamentar da história recente do país. No Senado, a mudança foi ainda mais expressiva, com uma enxurrada de candidatos que surfaram na onda da antipolítica, muitos deles sem o respaldo de grandes partidos ou a experiência de campanhas anteriores. A população, cansada dos mesmos rostos, apostou em figuras que prometiam uma nova forma de fazer política, livre das amarras tradicionais.

Essa eleição, que renovou dois terços do Senado, trouxe para Brasília uma bancada com perfis diversos, desde empresários a ativistas, que se destacaram pela retórica de combate à corrupção e pela proximidade com o eleitorado via redes sociais. A ausência de uma base política sólida, no entanto, é um fator que agora se mostra crucial para a permanência desses parlamentares, que precisam se adaptar a um ambiente onde a construção de alianças e o apoio das máquinas partidárias são essenciais para a reeleição.

O Cenário Atual: Desafios para a Reeleição de Senadores

Um levantamento recente aponta que a realidade para os senadores eleitos em 2018 é complexa. Dos 54 senadores cujo mandato se encerra em 2027, um número significativo de 18 já anunciou que não buscará a reeleição. Outros três ainda mantêm a situação indefinida, enquanto os 33 restantes planejam tentar renovar seus mandatos, muitos deles enfrentando consideráveis dificuldades em seus respectivos estados.

A próxima disputa para o Senado, que novamente renovará dois terços da Casa, com a eleição de dois senadores em cada unidade da federação, adquire um peso estratégico ainda maior. O contexto é de tensões crescentes entre o Poder Executivo, o Congresso Nacional e o Poder Judiciário, tornando a composição do Senado um elemento chave para o equilíbrio de forças na política nacional. A capacidade de articulação e a solidez das bases políticas regionais serão testadas ao limite.

A Estratégia dos Grandes Blocos e a Força Partidária

A eleição para o Senado mobiliza intensamente as máquinas partidárias, que hoje se encontram mais fortalecidas do que em 2018. O avanço das emendas parlamentares, que concedem maior poder de barganha aos legisladores, e o protagonismo crescente do Senado, que chegou a rejeitar uma indicação a ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) pela primeira vez em 132 anos, são fatores que alimentam a ferocidade da disputa.

De um lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem atuado para ampliar a bancada conservadora, visando um enfrentamento mais robusto ao STF. Do outro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca conter o avanço da ala mais radical do bolsonarismo, investindo em candidaturas próprias e na construção de alianças estratégicas nos estados. Essa polarização nacional se reflete diretamente nas disputas locais, onde o apoio de figuras de peso se torna um trunfo valioso.

O Perfil do Eleitor e a Revalorização da Experiência

O cientista político Vitor Sandes, professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), oferece uma análise perspicaz sobre essa mudança de cenário. Segundo ele, “o movimento de opinião que marcou 2018 foi forte e impulsionou candidatos sem carreira política consolidada. Agora, estrutura partidária, financiamento e alinhamento com candidaturas fortes voltam a ser decisivos”. Sandes ressalta que o perfil institucional do Senado, que exige articulação e experiência para a tramitação de projetos complexos, dificulta a permanência de parlamentares sem uma base política sólida.

Nesse contexto, candidatos com redes regionais bem estabelecidas e experiência administrativa prévia, como ex-governadores e ex-senadores que buscam retornar à Casa, tendem a ser favorecidos. As pesquisas de intenção de voto já apontam nessa direção, indicando um favoritismo para políticos associados tanto a Lula quanto a Bolsonaro, mas que possuem um histórico de atuação e reconhecimento em seus estados. A dificuldade em compor alianças para a reeleição é uma realidade para muitos dos novatos de 2018. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), por exemplo, relator da CPI do Crime Organizado, chegou a ser cotado na chapa do governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), mas acabou preterido em favor do senador petista Rogério Carvalho. No Espírito Santo, as surpresas de 2018, Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Avante), terão o desafio de enfrentar nomes mais experientes na próxima eleição.

A dinâmica política brasileira demonstra um ciclo de ebulição e acomodação. Se 2018 foi o ano da ruptura e da aposta na renovação, a eleição vindoura para o Senado parece sinalizar um retorno à valorização da estrutura partidária e da experiência política. Acompanhar esses desdobramentos é fundamental para compreender os rumos do legislativo nacional. Para continuar informado sobre este e outros temas relevantes que moldam o Brasil, acesse o M1 Metrópole. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, contextualizada e aprofundada, para que você esteja sempre à frente dos fatos.

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