A Polícia Federal (PF) apura indícios de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), possa ser o beneficiário final de um fundo de investimento que movimentou vultosas quantias e manteve ativos em paraísos fiscais. A investigação, que coloca o magistrado sob o foco de uma apuração complexa, baseia-se em um relatório enviado à Corte, conforme revelado pela revista piauí.
A estrutura financeira sob suspeita
O centro da apuração é o fundo de investimento Arleen. Segundo a PF, o fundo recebeu um aporte de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, executivo do Banco Master. O documento policial aponta que o Arleen, originalmente ligado ao ex-banqueiro, foi adquirido em fevereiro de 2025 por Alberto Leite, empresário identificado como amigo do ministro.
A dinâmica financeira do fundo chamou a atenção dos investigadores após uma mudança estratégica em seu regulamento, ocorrida apenas um mês após a aquisição. A alteração permitiu investimentos no exterior. Em dezembro de 2025, a totalidade dos ativos do fundo foi transferida para a holding Égide I, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, jurisdição conhecida pelo sigilo bancário e tributação favorecida.
Conexões societárias e o caso do resort
O fundo Arleen também aparece em transações envolvendo o resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (SC). O fundo adquiriu parte das cotas da Maridt, empresa que conta com a participação de José Eugenio e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro. O próprio magistrado já havia admitido anteriormente integrar o quadro societário da empresa, fato que reforça o interesse da PF em rastrear a origem e o destino dos recursos.
O relatório da Polícia Federal é enfático ao sugerir que o conjunto de elementos colhidos aponta para uma possível propriedade de fato por parte de Toffoli. “Documentos e comunicações sugerem o uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, incluindo movimentações envolvendo a Égide I Holding”, destaca o documento oficial.
Suposta influência em julgamentos do STF
Além das questões patrimoniais, a PF investiga se o aporte financeiro teria relação com decisões judiciais. O foco recai sobre uma ação envolvendo precatórios da destilaria Alcídia, pertencente ao grupo Atvos. A decisão sobre este caso tinha potencial de impactar significativamente a carteira de precatórios do Banco Master, avaliada em mais de R$ 10 bilhões.
Diálogos extraídos de dispositivos móveis do banqueiro Daniel Vorcaro indicam uma possível articulação entre o diretor jurídico do banco, André Kruschewsky, e o ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria. O objetivo seria monitorar o voto de Toffoli, que, em casos anteriores, apresentava um histórico favorável às usinas, mas que havia demonstrado uma mudança de postura em julgamentos similares.
Defesa nega irregularidades
Em nota oficial enviada à imprensa, o gabinete do ministro Dias Toffoli refutou categoricamente as suspeitas levantadas pela investigação. O magistrado afirmou que “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior” e negou qualquer tipo de operação realizada nas Ilhas Virgens Britânicas.
O caso segue sob análise das autoridades, e o desdobramento dessas investigações pode trazer novos elementos sobre a relação entre o mercado financeiro e o Poder Judiciário. O M1 Metrópole continua acompanhando os desdobramentos deste caso e outros temas relevantes para o cenário nacional. Mantenha-se informado com nossa cobertura diária, comprometida com a transparência e o rigor jornalístico.