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Ômega-3 e aspirina surgem como alternativa a antibióticos contra periodontite grave

Ômega-3 e aspirina surgem como alternativa a antibióticos contra periodontite grave
Folhapress

Uma nova perspectiva no tratamento da periodontite grave, condição inflamatória crônica que ameaça a estrutura de suporte dos dentes, aponta para uma alternativa menos agressiva ao uso recorrente de antibióticos. Um estudo clínico, que acompanhou 109 pacientes ao longo de um ano, revelou que a combinação de ômega-3 e ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose apresentou eficácia clínica comparável à terapia convencional com antimicrobianos.

A pesquisa, publicada no Journal of Periodontology e apoiada pela Fapesp, traz um alento para o cenário global de saúde pública, marcado pela crescente preocupação com a resistência bacteriana. A periodontite, caracterizada pelo acúmulo de bactérias abaixo da gengiva, pode levar à perda óssea e à mobilidade dentária se não for devidamente controlada, tornando o manejo clínico um desafio constante para os cirurgiões-dentistas.

Mecanismo de ação e resolução da inflamação

Diferente dos anti-inflamatórios convencionais, que bloqueiam vias inflamatórias específicas, o ômega-3 atua no suporte à produção de moléculas que favorecem a resolução natural da inflamação e o reparo tecidual. O uso do AAS em baixa dose, por sua vez, atua como um potencializador na formação desses mediadores biológicos. A hipótese central do estudo foi que essa modulação ajudaria o organismo a gerenciar melhor o processo inflamatório crônico.

Os participantes foram divididos em quatro grupos, todos submetidos à instrumentação subgengival — a tradicional raspagem. Enquanto um grupo recebeu placebo e outro a combinação de metronidazol e amoxicilina, os demais foram tratados com a suplementação de ômega-3 e AAS, ou com a associação de ambas as estratégias. Ao final do período, cerca de 58% dos pacientes tratados com antibióticos atingiram a meta clínica, enquanto o grupo que utilizou a combinação de ômega-3 e AAS alcançou 57,7% de sucesso.

Impacto clínico e segurança terapêutica

A cirurgiã-dentista Nídia Cristina Castro dos Santos, pesquisadora do Einstein Hospital Israelita e primeira autora do estudo, destaca que o resultado foi surpreendente. Mesmo seis meses após a interrupção da suplementação, os pacientes mantiveram os benefícios clínicos, sugerindo que a modulação da resposta inflamatória produz efeitos duradouros. A associação entre antibióticos e a suplementação, contudo, não demonstrou benefícios adicionais significativos.

Para Magda Feres, professora da Escola de Medicina Dentária de Harvard e coautora do trabalho, a descoberta oferece uma alternativa real para pacientes com restrições ao uso de antibióticos. “A combinação alcançou benefícios comparáveis ao protocolo com metronidazol e amoxicilina, o que é fundamental para quem possui alergia ou intolerância a esses medicamentos”, explica Feres. O estudo, que também contou com a colaboração da Fapesp, reforça a necessidade de avaliar cada caso individualmente, evitando o uso desnecessário de antimicrobianos.

O M1 Metrópole segue acompanhando os avanços científicos que impactam a saúde pública e o bem-estar cotidiano. Continue conosco para se manter informado sobre as descobertas que transformam a prática clínica e a qualidade de vida da população.

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