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Polícia Militar desocupa reitoria da USP em ação na madrugada com relatos de violência

Reprodução/Redes Sociais
Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Militar realizou uma operação na madrugada deste domingo (10) para desocupar a reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no campus do Butantã, Zona Oeste da capital paulista. A ação, que visava retirar estudantes que mantinham o prédio ocupado, gerou relatos de uso de força por parte dos agentes, incluindo cassetetes, escudos e bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, diversos alunos ficaram feridos durante a intervenção policial, que foi descrita como surpresa e sem aviso prévio. Vídeos gravados pelos próprios estudantes mostram momentos em que policiais teriam agredido o grupo com cassetetes. Além dos feridos, quatro estudantes foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, localizado nas regiões da Lapa e Vila Romana.

Ação policial na madrugada e relatos de confrontos

A operação de desocupação ocorreu nas primeiras horas do domingo. Estudantes que estavam no local relataram que a Polícia Militar agiu com rigor, utilizando equipamentos de controle de distúrbios. O uso de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, conforme os relatos, intensificou o confronto em um ambiente já tenso.

As imagens e depoimentos dos alunos, divulgados em redes sociais, evidenciam a complexidade da situação e a preocupação com a segurança dos manifestantes. A assessoria de imprensa do DCE da USP confirmou as informações sobre os feridos e as detenções, reforçando a gravidade dos incidentes durante a madrugada.

A raiz da greve: demandas estudantis por permanência e infraestrutura

A ocupação da reitoria da USP era parte de um movimento de greve que já durava três semanas e envolvia estudantes da USP, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). As principais reivindicações dos alunos giram em torno de melhorias nas políticas de permanência estudantil e na infraestrutura das universidades.

Entre as demandas, destacam-se o aumento de bolsas de estudo, a reforma das moradias universitárias e a manutenção da estrutura física dos campi. Na USP, por exemplo, estudantes do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp) denunciam problemas estruturais graves, como luminárias queimadas, pisos, janelas e canos velhos, além de mofo e infiltrações. Em uma cozinha coletiva do Crusp, as luzes não funcionam, e em outra, um vazamento de gás exige que os alunos desliguem o registro geral.

Na Unesp, alunos do Instituto de Artes, na Barra Funda, exigem a ampliação de serviços básicos no período noturno, como atendimento médico e funcionamento da biblioteca até o fim das aulas. A mobilização na Unesp ganhou força após a morte da professora Sandra Regina Campos, que sofreu um mal súbito em 7 de abril durante uma palestra noturna, em um momento em que os profissionais de saúde já haviam deixado o campus.

Cronologia da ocupação e o diálogo interrompido

A ocupação do prédio da reitoria da USP teve início na tarde de quinta-feira (7), durante um protesto ligado à greve. Cerca de 400 estudantes participaram da manifestação inicial, que culminou na invasão do espaço após pularem o portão e derrubarem portas de vidro. Durante os dias que se seguiram, os alunos acamparam tanto do lado de fora quanto dentro do prédio, utilizando barracas e colchões.

Na manhã de sexta-feira (8), a universidade cortou o fornecimento de energia e água da reitoria, informação confirmada pelo g1. Durante o período de ocupação, policiais do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) já estavam presentes no campus, com escudos em um dos acessos, e viaturas da Polícia Militar faziam rondas nas proximidades.

O ato tinha como objetivo pressionar pela retomada das negociações com o reitor da USP, Aluísio Segurado. Henrique Pupio, diretor da União Estadual dos Estudantes de São Paulo e estudante da Faculdade de Direito, criticou a postura da reitoria. “Acreditamos que essa intransigência tem levado a um maior tensionamento, que só poderá ser resolvido com a reabertura do diálogo com os estudantes”, afirmou Pupio, defendendo a reabertura da mesa de renegociação.

Posicionamento das universidades frente às reivindicações

Em nota, a reitoria da USP lamentou a invasão e os danos ao patrimônio público, informando que acionou as forças de segurança para evitar a ocupação de outros espaços do campus.

A Unesp, por sua vez, afirmou que não foi procurada oficialmente por representantes do movimento estudantil, mas indicou que as reivindicações seriam discutidas em uma reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas na próxima segunda-feira.

Já a Unicamp declarou que mantém um diálogo contínuo com entidades estudantis e direções das unidades, e que prioriza políticas de permanência estudantil, incluindo moradia, transporte e auxílios financeiros.

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