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Câmara derruba veto de Lula a projeto que reduz penas de condenados por golpe

Gabriela Biló/Folhapress
Gabriela Biló/Folhapress

Câmara avança na derrubada de veto presidencial

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (3), a derrubada do veto integral do presidente Lula (PT) ao projeto de lei conhecido como “lei da dosimetria”. A proposta, que altera critérios de aplicação de penas para crimes contra o Estado democrático de Direito, agora segue para análise do Senado Federal. Para que o texto se torne lei, a rejeição do veto precisa ser confirmada por, no mínimo, 41 senadores em votação separada.

A matéria, aprovada originalmente pelo Congresso em dezembro do ano passado, foi alvo de veto integral por parte do Executivo em janeiro. A articulação para a derrubada do veto ocorreu em uma sessão conjunta presidida por Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, e reflete o atual tensionamento entre o Legislativo e o Palácio do Planalto sobre temas sensíveis ao Judiciário e aos processos decorrentes dos atos de 8 de janeiro.

Mudanças na dosimetria e impactos penais

O cerne do projeto reside na alteração da forma como as penas são somadas. Atualmente, crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito podem ter suas penas aplicadas de forma cumulativa. Com a nova proposta, a regra passaria a considerar a pena mais grave, aplicando um aumento de um sexto até a metade, evitando a soma integral das condenações.

Além da mudança na dosimetria, o texto introduz dispositivos que alteram a progressão de regime. Condenados pelos eventos de 8 de janeiro, por exemplo, poderiam solicitar a progressão após o cumprimento de um sexto da pena, em contraste com a regra anterior, que exigia um quarto do tempo. O projeto também prevê reduções de pena para agentes que tenham participado de atos em multidão, desde que não tenham exercido papéis de liderança ou financiado as ações.

Efeitos práticos para o ex-presidente Jair Bolsonaro

Um dos pontos de maior repercussão política é o impacto direto da medida sobre a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Caso a lei entre em vigor, o tempo de permanência em regime fechado para o ex-presidente poderia ser reduzido significativamente. Estimativas apontam que o intervalo de cumprimento de pena poderia cair para um patamar entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, dependendo da interpretação judicial sobre as condenações por golpe e abolição do Estado democrático.

Adicionalmente, o projeto estabelece que o regime de prisão domiciliar não impede a remição de penas por meio de trabalho ou estudo. Esta alteração possui um alcance muito mais amplo do que o caso específico de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por questões de saúde, podendo beneficiar mais de 200 mil detentos em todo o país que atualmente não possuem o direito de abater o tempo de sentença através dessas atividades.

Contexto e próximos passos no Senado

A sessão desta quinta-feira foi a primeira a analisar o veto, apesar de existirem outros 80 vetos presidenciais pendentes de deliberação no Congresso. A escolha do tema da dosimetria para priorização na pauta evidencia a relevância política que o Legislativo confere à revisão das punições relacionadas aos atos antidemocráticos.

O M1 Metrópole segue acompanhando de perto os desdobramentos desta votação no Senado e os impactos jurídicos que a possível promulgação da lei trará para o sistema prisional brasileiro. Continue conectado ao nosso portal para obter informações atualizadas, análises aprofundadas e o contexto completo dos principais fatos da política nacional.

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