A morte do influenciador digital Paulo Cezar Goulart Siqueira, conhecido como PC Siqueira, em 27 de dezembro de 2023, ganhou um novo e complexo capítulo. Um parecer técnico particular, elaborado em março de 2026 a pedido da família, aponta que o youtuber pode ter sido assassinado por estrangulamento com um fio de fones de ouvido. Essa conclusão contesta veementemente os laudos oficiais do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC), que, em 2025, haviam determinado suicídio por enforcamento com uma cinta de catraca.
A reviravolta na investigação reacende o debate sobre as circunstâncias da morte de uma figura pública que marcou a internet brasileira. A divergência entre as perícias levou o Ministério Público a solicitar uma nova análise, mantendo o caso em aberto e sob sigilo de Justiça, enquanto a Polícia Civil explora outras hipóteses além do suicídio.
A controvérsia pericial e os indícios de assassinato
O cerne da nova controvérsia reside na análise do perito particular Francisco João Aparício La Regina, ex-perito da Polícia Técnico-Científica. Em seu parecer de 48 páginas, La Regina argumenta que as marcas encontradas no pescoço de PC Siqueira são compatíveis com um fio fino, especificamente um fio de fones de ouvido preto, que foi posteriormente recolhido e entregue à polícia pelos advogados da família.
Segundo a perícia particular, a largura e o padrão das lesões seriam incompatíveis com a cinta de catraca laranja, um objeto mais largo que foi o único inicialmente apreendido pela perícia oficial. A versão oficial, baseada nos laudos do IML e IC, indicava que o influenciador teria se enforcado com essa cinta na presença de sua ex-namorada, Maria Luiza Lopes Watanabe. A família, através de seus advogados, busca esclarecer as inconsistências, dada a gravidade das conclusões.
A reabertura da investigação e novas hipóteses
Diante da notável divergência entre os laudos, o Ministério Público agiu, determinando que a Polícia Civil encaminhe o fio dos fones de ouvido ao IML e IC para uma nova comparação com as fotografias do corpo de PC Siqueira. Como a morte ocorreu há mais de dois anos, a exumação do corpo não é mais possível, tornando as imagens periciais da época cruciais para a nova análise.
No final de 2025, a Justiça já havia determinado a continuidade da investigação, atendendo a um pedido do MP que apontava dúvidas nos laudos e contradições em depoimentos. Com isso, a Polícia Civil, que havia concluído o inquérito como suicídio, passou a apurar outras linhas de investigação, incluindo instigação ao suicídio, homicídio com simulação de suicídio e omissão de socorro. Embora não haja suspeitos formalmente identificados até o momento, pessoas próximas ao influenciador podem ser investigadas, e o caso permanece em aberto para as autoridades.
Depoimentos, reconstituição e a acareação
Os primeiros momentos após a morte de PC Siqueira foram marcados por depoimentos-chave. Maria Luiza Lopes Watanabe, ex-namorada do influenciador, relatou à Polícia Civil que tentou salvá-lo, mas não conseguiu, saindo do apartamento em busca de ajuda. Uma vizinha confirmou ter ouvido os gritos, encontrado PC enforcado com a cinta laranja, e agido rapidamente para cortar o objeto e acionar a Polícia Militar.
Para tentar esclarecer os fatos, a Polícia Técnico-Científica realizou uma reconstituição do caso em 20 de janeiro de 2026 no prédio onde PC morava. Maria Luiza não participou, alegando motivos pessoais. Posteriormente, em 30 de janeiro de 2026, ela e a vizinha participaram de uma acareação por videoconferência, onde foram confrontadas sobre a divergência nos horários do pedido de ajuda. Amigos do youtuber também relataram à polícia um relacionamento conturbado, marcado por discussões e um término recente, o que teria gerado irritação no influenciador.
A defesa da ex-namorada e o contexto pessoal
A defesa de Maria Luiza Lopes Watanabe, por meio de sua advogada Clarissa Azevedo, divulgou uma nota reforçando a confiança no trabalho das autoridades e a imparcialidade dos laudos oficiais. A defesa argumenta que não há elementos técnicos ou probatórios que sustentem a atribuição de responsabilidade à ex-namorada, destacando que não há qualquer acusação formal contra ela e que os laudos oficiais são elaborados com critérios técnicos e controle institucional.
A nota também questiona a imparcialidade de pareceres particulares, que seriam produzidos por profissionais contratados por uma das partes. Este posicionamento sublinha a complexidade do caso, onde a versão oficial e a particular se chocam, e a Justiça busca desvendar a verdade por trás da morte de uma figura tão conhecida.
O legado de PC Siqueira e o impacto do caso
PC Siqueira foi um dos pioneiros e mais influentes criadores de conteúdo digital no Brasil, com projeção no YouTube e passagens pela televisão. Sua trajetória, no entanto, foi marcada por altos e baixos, incluindo uma investigação por suspeita de divulgação de imagens de abuso sexual infantil em 2020. Ele sempre negou as acusações, e laudos posteriores não encontraram material incriminador em seus computadores. O caso foi relatado em junho de 2024 por extinção da punibilidade, devido à sua morte.
A morte de PC Siqueira, inicialmente tratada como suicídio, agora ganha contornos de mistério e levanta questões sobre a segurança e o suporte a figuras públicas que enfrentam pressões e controvérsias. A família, que agradeceu as manifestações de solidariedade, está desenvolvendo uma série documental sobre a vida do influenciador, o que certamente trará ainda mais visibilidade e reflexão sobre seu legado e as circunstâncias de seu falecimento. Acompanhe as atualizações sobre este caso complexo em M1 Metrópole.
O M1 Metrópole continua acompanhando de perto os desdobramentos desta investigação, trazendo informações relevantes e contextualizadas para nossos leitores. Para ficar por dentro de todas as notícias, análises e reportagens aprofundadas sobre este e outros temas que impactam a sociedade, continue navegando em nosso portal. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, que te mantém atualizado e bem informado.