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Moraes classifica relatório de Mendonça como farsa e aponta vingança política

Moraes classifica relatório de Mendonça como farsa e aponta vingança política
Pedro Ladeira/Folhapress

Confronto direto no Supremo Tribunal Federal

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu com contundência ao relatório apresentado pelo também ministro André Mendonça, que será objeto de análise pelo plenário da corte nesta terça-feira (15). Em documento enviado ao presidente do STF, Edson Fachin, Moraes classificou o conteúdo como uma “farsa” e afirmou que a iniciativa possui uma clara “motivação político-eleitoral”.

O magistrado sustenta que o relatório da Polícia Federal, que detalha mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não apresenta qualquer indício de irregularidade ou prática de infração penal. Para Moraes, a movimentação é uma tentativa de retaliação por parte de aliados de figuras condenadas pela corte devido à trama golpista que visava impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A tese de retaliação e o contexto golpista

Em sua manifestação de 44 páginas e 121 tópicos, Alexandre de Moraes não poupou críticas à condução do processo. “Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou o ministro. O magistrado reforçou que o relatório se baseia em “ilações absurdas” ao sugerir diálogos que, segundo ele, nunca existiram.

A tensão no tribunal atinge um nível crítico, uma vez que o plenário decidirá se abre ou não uma investigação contra um dos seus próprios membros, um cenário sem precedentes na história recente do Judiciário brasileiro. O caso, que inicialmente tramitava sob a relatoria de André Mendonça — indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) —, foi transferido para Edson Fachin diante da crise instalada entre os magistrados.

Defesa nega irregularidades em contratos

Um dos pontos centrais da controvérsia envolve o relacionamento profissional entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A Polícia Federal aponta a existência de um contrato no valor de R$ 131 milhões, que teria sido editado pelo ministro antes de sua assinatura. Documentos da Receita Federal indicaram pagamentos na ordem de R$ 80,2 milhões.

Em sua defesa, Moraes reitera que jamais atuou em qualquer processo envolvendo a instituição financeira ou o empresário Daniel Vorcaro, seja durante ou após a vigência do contrato. O ministro enfatiza que o relatório policial se baseia em escritos de terceiros encontrados em um celular apreendido, sem que houvesse qualquer interação direta ou prova de conduta ilícita de sua parte. Para ele, o documento tenta estabelecer uma “responsabilização objetiva” inexistente no ordenamento jurídico.

Desdobramentos no plenário

A sessão desta terça-feira é aguardada com expectativa pelo meio jurídico e político, dado o potencial de desgaste institucional que a abertura de um inquérito contra um ministro do STF pode gerar. O caso coloca em xeque a harmonia interna da corte e levanta questões sobre os limites da atuação da Polícia Federal em investigações que tangenciam a cúpula do Judiciário. Acompanhe a cobertura completa e os desdobramentos desta crise no M1 Metrópole, seu portal de confiança para informações relevantes e contextualizadas sobre os rumos do Brasil.

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