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Maersk dispara projeção de lucro anual impulsionada por tarifas dos EUA e tensões globais

Maersk dispara projeção de lucro anual impulsionada por tarifas dos EUA e tensões globais

A AP Moller-Maersk, segunda maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo, anunciou uma revisão significativa em sua projeção de lucro anual, esperando um aumento de pelo menos US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) acima das estimativas anteriores. A mudança reflete uma forte demanda proveniente do Extremo Oriente, impulsionada principalmente pelas novas tarifas americanas e por um cenário geopolítico complexo que impacta as rotas de comércio global.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (29.jun.2026), a Maersk informou que seu lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) deve agora ficar na faixa de US$ 8 bilhões (R$ 41,4 bilhões) a US$ 10 bilhões (R$ 51,7 bilhões) em 2026. Esta nova projeção representa um salto considerável em relação à previsão anterior, que variava entre US$ 4,5 bilhões (R$ 23,2 bilhões) e US$ 7 bilhões (R$ 36,2 bilhões).

A Corrida por Produtos Chineses e as Novas Tarifas dos EUA

Um dos principais catalisadores para o aumento da demanda e, consequentemente, das taxas de frete marítimo, é a iminência de uma nova rodada de tarifas americanas. Varejistas e empresas de bens de consumo dos Estados Unidos estão em uma corrida para estocar produtos da China antes que as novas taxas entrem em vigor.

O governo Trump planeja impor tarifas de pelo menos 10% sobre dezenas de países a partir do final de julho de 2026, após uma investigação sobre práticas de trabalho forçado. Além disso, novas tarifas americanas sobre bens industriais devem ser anunciadas no próximo mês, intensificando a pressão sobre as cadeias de suprimentos e acelerando a demanda por transporte.

Rotas Marítimas sob Tensão: Crises e Custos Elevados

As taxas de frete marítimo dispararam na última semana, atingindo os níveis mais altos desde a crise do Mar Vermelho no final do verão de 2024. Naquela ocasião, rebeldes houthis no Iêmen, agindo em solidariedade ao grupo militante palestino Hamas, começaram a atacar embarcações que passavam pelo canal de Suez, forçando a maioria das empresas de navegação ocidentais a adotar a rota muito mais longa entre a Ásia e a Europa via Cabo da Boa Esperança.

A situação geopolítica continua a impactar o setor. A guerra entre EUA e Israel contra o Irã causou ampla perturbação na indústria naval, com várias centenas de embarcações presas próximas ao estreito de Hormuz após a república islâmica bloquear a via marítima estratégica. Essas restrições de capacidade, impulsionadas por múltiplos fatores, contribuíram para elevar as taxas tanto de frete quanto de afretamento de navios porta-contêineres por período determinado.

A Clarksons, uma corretora de navios, destacou que o índice de frete de contêineres de Xangai, uma medida padrão do setor, está agora “apenas 13% abaixo do pico do verão de 2024”. As taxas de afretamento por tempo, como são conhecidas, atingiram “uma nova máxima pós-Covid”, sublinhando a pressão sobre a disponibilidade de embarcações.

Otimismo da Maersk e o Futuro do Comércio Global

A Maersk justificou a elevação de sua projeção graças à “demanda forte contínua no mercado de contêineres, particularmente no Extremo Oriente, e um recente aumento sustentado nas taxas do mercado spot”. A empresa agora prevê que o crescimento de volume para o mercado global de contêineres será de cerca de 4% em 2026, uma revisão para cima em relação à estimativa anterior de 2% a 4%.

Além das tarifas e das tensões geopolíticas, o aumento nos custos de combustível, que devem entrar em vigor no início de julho de 2026 e decorrem da guerra com o Irã, também contribuiu para aumentar a demanda por transporte marítimo de contêineres no segundo trimestre, conforme apontado por executivos do setor. Este cenário complexo e dinâmico exige atenção constante das empresas e governos, moldando o futuro do comércio internacional. Para mais informações sobre o setor de transporte e logística, você pode consultar fontes como a Reuters.

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