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Linfoma não Hodgkin explica causa da morte do cantor Netinho e avanços no tratamento

Linfoma não Hodgkin explica causa da morte do cantor Netinho e avanços no tratamento
© Netinho.com.br/Divulgação

A morte do cantor Netinho, aos 60 anos, na última terça-feira (13), em Salvador, trouxe à tona o debate sobre o linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer que afeta diretamente o sistema linfático. O artista enfrentava uma forma rara e agressiva da doença, classificada como linfoma plasmoblástico, que impõe desafios significativos tanto no diagnóstico quanto na eficácia das terapias convencionais.

O linfoma não Hodgkin é uma neoplasia que se origina nos linfócitos, células de defesa que compõem o sistema imunológico. Quando essas células sofrem mutações genéticas, passam a se multiplicar de maneira desordenada, acumulando-se nos gânglios linfáticos — conhecidos popularmente como ínguas — e em outros órgãos como o baço e as amígdalas. Segundo especialistas, cerca de 85% dos casos diagnosticados no Brasil pertencem ao subtipo B, o mesmo que acometeu o cantor.

A complexidade do linfoma plasmoblástico

Embora o linfoma não Hodgkin seja relativamente comum, o quadro clínico de Netinho apresentava particularidades. A hematologista Talita Maira Bueno da Silveira, do Hospital A.C. Camargo Cancer Center, explica que o subtipo plasmoblástico é notadamente mais agressivo. Frequentemente associado a pacientes com algum grau de imunossupressão, esse tipo de tumor exige abordagens terapêuticas mais complexas, apresentando, em muitos casos, um prognóstico mais reservado em comparação a outros linfomas do tipo B.

O impacto da doença no cenário nacional é relevante. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que o Brasil deve registrar mais de 10 mil novos casos da patologia apenas este ano, com uma distribuição quase equitativa entre homens e mulheres. O monitoramento desses números é fundamental para que políticas de saúde pública possam focar no diagnóstico precoce, que continua sendo o principal aliado na busca pela cura.

Sintomas e sinais de alerta

A identificação do linfoma não Hodgkin pode ser desafiadora, pois seus sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, assemelhando-se a quadros virais comuns. O aumento dos gânglios linfáticos, especialmente na região do pescoço, axilas e virilhas, é um dos sinais mais frequentes. Contudo, o paciente também pode apresentar febre persistente, suores noturnos intensos, perda de peso sem causa aparente e fadiga extrema.

Em estágios mais avançados ou agressivos, a doença pode manifestar sintomas como dor abdominal, dificuldade respiratória, confusão mental e fraqueza nos membros. A recomendação médica é que qualquer alteração persistente no organismo seja investigada por um especialista, evitando a automedicação que pode mascarar o desenvolvimento da neoplasia.

Avanços no tratamento e novas fronteiras

O tratamento do linfoma não Hodgkin evoluiu consideravelmente na última década. Embora a quimioterapia e a radioterapia permaneçam como pilares, a medicina moderna tem incorporado terapias-alvo e anticorpos monoclonais que atacam as células tumorais com maior precisão. Uma das inovações mais promissoras é a imunoterapia, que atua reativando o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer.

Entre as opções mais recentes, destacam-se os medicamentos biespecíficos e a terapia celular CAR-T. Esta última, embora ainda dependa de logística internacional em muitos casos, representa uma mudança de paradigma para pacientes que não respondem às terapias de primeira linha. O acompanhamento contínuo e a personalização do tratamento, baseada no estadiamento da doença (que vai do estágio I ao IV), são cruciais para definir as chances de sucesso terapêutico.

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