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Laura Cardoso morre aos 98 anos e deixa legado imortal na dramaturgia brasileira

Laura Cardoso morre aos 98 anos e deixa legado imortal na dramaturgia brasileira

Uma trajetória que se confunde com a história da televisão

O Brasil perdeu, na madrugada desta terça-feira (18), uma das figuras mais emblemáticas de sua cultura. Laura Cardoso, a atriz que deu rosto e voz à ficção nacional por mais de sete décadas, faleceu aos 98 anos. A notícia foi confirmada por seu bisneto, Fernando Faria, por meio de uma publicação no perfil oficial da artista no Instagram. “Nossa grande estrela se despediu de nós”, declarou a família, sem divulgar a causa do óbito.

Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, a atriz carregava em sua trajetória a força de quem viu a arte brasileira se transformar. Filha de ex-camponeses da região de Trás-os-Montes, em Portugal, ela cresceu em um cortiço no bairro do Bexiga, em São Paulo. Foi ali, entre a simplicidade da infância e o hábito de ler para os pais, que nasceu o desejo pelos palcos. O talento, notado ainda no colégio de freiras, onde era requisitada para recitar textos, seria o prelúdio de uma carreira monumental.

Dos microfones da rádio aos grandes palcos

A carreira de Laura começou precocemente, aos 16 anos, na Rádio Cosmos. Em uma época em que o rádio era o principal veículo de entretenimento do país, ela brilhou em programas de auditório e radionovelas. Foi nesse ambiente que conheceu o ator e diretor Fernando Balleroni, seu companheiro de vida e de ofício. Juntos, enfrentaram os desafios da profissão, chegando a realizar esquetes em circos da periferia, muitas vezes sem remuneração, movidos apenas pela paixão de atuar.

Com a chegada da televisão, Laura não apenas acompanhou a transição, mas tornou-se um pilar do novo meio. Em 1952, estreou na TV Tupi com “Tribunal do Coração”. Durante 15 anos, foi peça fundamental do elenco fixo de teleteatros ao vivo, participando de produções históricas como “TV de Vanguarda” e “Grande Teatro Tupi”. Sob a direção de nomes como Cassiano Gabus Mendes e Walter George Durst, ela ajudou a consolidar a dramaturgia brasileira como um produto de qualidade.

Consagração na televisão e o reconhecimento do público

A transição para a TV Globo, em 1981, com a novela “Brilhante”, de Gilberto Braga, marcou o início de uma fase de reconhecimento nacional ainda mais intenso. Ao longo de mais de 20 novelas na emissora, Laura Cardoso interpretou personagens inesquecíveis em tramas como “Mulheres de Areia”, “A Viagem” e “Caminho das Índias”. Sua versatilidade permitia que ela transitasse entre o drama profundo e a leveza da comédia com a mesma naturalidade.

Além da televisão, o teatro sempre teve um lugar central em sua vida. Sua estreia no teatro adulto ocorreu em 1959, com “Plantão 21”, sob direção de Antunes Filho. Ao longo das décadas, colecionou prêmios e aplausos, provando que sua vitalidade artística não conhecia limites. Mesmo em projetos mais recentes, como a minissérie “Hoje É Dia de Maria” (2005) ou a peça “A Última Sessão” (2016), Laura manteve a mesma entrega que a acompanhou desde os tempos de rádio.

Um legado que atravessa gerações

A partida de Laura Cardoso encerra um capítulo fundamental da dramaturgia brasileira, mas deixa um acervo inestimável para a cultura do país. Ela não foi apenas uma atriz; foi uma contadora de histórias que, com sua voz inconfundível e presença cênica magnética, moldou o imaginário de gerações de brasileiros. Sua dedicação ao ofício, iniciada nos circos e consolidada nos maiores estúdios do país, permanece como um exemplo de resiliência e amor à arte.

O M1 Metrópole segue acompanhando as homenagens e os desdobramentos sobre a despedida desta grande dama da nossa televisão. Continue conosco para mais informações sobre a vida e o impacto da trajetória de Laura Cardoso na cultura nacional.

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