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Inflação oficial registra queda de 0,32% em agosto e atinge menor patamar em quatro anos

Inflação oficial registra queda de 0,32% em agosto e atinge menor patamar em quatro anos
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou o mês de agosto com uma variação negativa de 0,32%. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), marca o menor índice para o período desde agosto de 2022, quando o indicador atingiu -0,36%.

O dado surpreendeu positivamente o mercado financeiro, que projetava uma deflação menos acentuada, de -0,23%, conforme apontado pelo Boletim Focus divulgado na última terça-feira (8). Com esse recuo, o acumulado do IPCA em 12 meses caiu para 4,22%, o menor patamar desde março de 2026, quando o índice estava em 4,14%.

O impacto do bônus de Itaipu na conta de luz

O principal motor da deflação em agosto foi o grupo Habitação, que registrou queda de 1,87%, o resultado mais expressivo para o setor desde o início do Plano Real, em 1994. Esse movimento foi impulsionado diretamente pelo chamado Bônus de Itaipu, um desconto aplicado nas contas de energia elétrica dos consumidores brasileiros.

O benefício é fruto da distribuição do saldo positivo da conta de comercialização da hidrelétrica estatal, que se traduziu em um alívio médio de 7,63% nas faturas de luz. No entanto, especialistas alertam que o efeito é pontual. Fernando Gonçalves, analista da pesquisa do IBGE, ressalta que, como o bônus é restrito ao mês de agosto, a tendência é que o índice de preços sofra uma pressão de alta no mês de setembro.

Alimentação e transportes em trajetória de queda

Além da energia elétrica, o custo da alimentação — que possui o maior peso na cesta de consumo das famílias, representando 21,5% do IPCA — também contribuiu para o resultado negativo. Pelo terceiro mês consecutivo, o grupo Alimentação e bebidas apresentou retração, desta vez de 0,34%. Itens essenciais como batata-inglesa, cenoura, cebola e tomate registraram quedas expressivas, aliviando o orçamento doméstico.

No setor de transportes, a redução de 0,86% foi puxada principalmente pela queda de 13,17% nas passagens aéreas. Os combustíveis também colaboraram para o cenário favorável, com recuos nos preços do etanol, óleo diesel e gasolina. O transporte por aplicativo também registrou queda, influenciado por ajustes metodológicos do IBGE na apropriação de dados referentes ao mês de julho.

Contexto econômico e metas de inflação

Apesar da deflação mensal, o cenário de longo prazo segue sob observação do Banco Central. A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com um intervalo de tolerância que permite variações entre 1,5% e 4,5%. Atualmente, a expectativa do mercado financeiro para o fechamento de 2026 é de 5%, o que mantém o debate sobre a política monetária e a condução da taxa Selic no radar dos agentes econômicos.

O índice de difusão, que mede a disseminação dos aumentos de preços entre os 377 produtos e serviços pesquisados, subiu de 50% em julho para 54% em agosto. Isso indica que, embora o índice geral tenha sido negativo, a pressão de alta ainda está presente em mais da metade dos itens da cesta de consumo, reforçando a necessidade de cautela na análise da conjuntura econômica.

O M1 Metrópole segue acompanhando de perto os desdobramentos da economia brasileira e os impactos diretos no bolso do cidadão. Continue conosco para se manter informado sobre as decisões do Banco Central, as variações do mercado e as análises que explicam o cenário nacional com credibilidade e profundidade.

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