Convergência política em cenário de disputa
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu neste sábado (29) a existência de um “solo comum” entre o PT e o PSDB. A declaração, feita durante uma caminhada em Osasco, na Grande São Paulo, ocorre após um movimento estratégico de adesão de ex-secretários de gestões tucanas à sua campanha, consolidado em um encontro realizado na capital paulista na última sexta-feira (28).
Acompanhado pela ex-ministra Marina Silva (Rede), que concorre ao Senado, Haddad enfatizou que, embora os partidos possuam divergências programáticas históricas, existem valores fundamentais que permitem a aproximação em momentos críticos. O petista destacou que a defesa da soberania nacional, dos direitos humanos e o combate à intolerância e ao racismo são pilares que unem as duas legendas diante de ameaças aos princípios democráticos.
Histórico de alianças entre petistas e tucanos
Para sustentar sua tese de que a cooperação não é um fato isolado, Haddad resgatou episódios da trajetória política brasileira desde a redemocratização. Segundo o candidato, a colaboração entre PT e PSDB em momentos de tensão institucional faz parte de um padrão de comportamento do campo democrático.
O petista relembrou a união das forças políticas em 1989 para conter a ascensão de Fernando Collor, bem como o apoio ao então governador Mário Covas em 1998 e a eleição de Marta Suplicy para a Prefeitura de São Paulo no ano 2000. Mais recentemente, Haddad citou a articulação de 2022, quando setores de ambos os partidos se aproximaram para impedir a reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Revisão de contratos de privatização
Além da agenda política, o candidato aproveitou o ato em Osasco para reforçar sua promessa de campanha de realizar um “pente-fino” em contratos de privatização do estado de São Paulo. Haddad elencou três áreas prioritárias para essa auditoria: o transporte sobre trilhos, a Sabesp e o sistema de pedágio eletrônico Free Flow.
O petista questionou o volume de indenizações pagas às concessionárias, contrastando esses valores com a necessidade de investimentos em áreas essenciais, como a infraestrutura escolar. De acordo com Haddad, dados indicam um aumento de 27% nas falhas do sistema de trilhos após a privatização, além de um crescimento no número de reclamações de consumidores da Sabesp registradas no Procon, o que, segundo ele, justifica a necessidade de uma revisão rigorosa dos termos contratuais vigentes.
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