O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa a Presidência da República, confirmou nesta terça-feira (13) que não participará do debate entre presidenciáveis organizado pela Band, previsto para este domingo (18). A decisão marca um novo capítulo na estratégia de campanha do parlamentar, que tem evitado confrontos diretos com o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Estratégia e incertezas sobre o último debate
Durante um evento de apoio realizado por diretórios estaduais do MDB, Flávio Bolsonaro foi enfático ao descartar sua presença no encontro da emissora paulista. Segundo o candidato, não há qualquer previsão de comparecimento ao evento. Em relação ao debate da TV Globo, que deve encerrar o ciclo de confrontos televisivos antes das urnas, o senador adotou um tom cauteloso.
“Não vou, não está previsto ir nesse debate no domingo. Estamos analisando, e quem vai dar a palavra final vai ser a minha equipe técnica, de ir no último debate”, afirmou o senador. A declaração reforça a dependência de uma avaliação técnica sobre os riscos e benefícios de uma exposição direta contra o adversário petista nesta reta final de campanha.
Histórico de ausências e o cenário eleitoral
O cenário de esvaziamento dos debates não é inédito nesta eleição. Nem Flávio Bolsonaro, nem Lula compareceram aos embates realizados durante o primeiro turno. Naquela fase, a ausência dos dois principais postulantes ao Palácio do Planalto resultou no cancelamento de dois dos quatro encontros que estavam programados pelas emissoras.
Para a campanha de Flávio, a ausência de Lula inviabilizava o debate, enquanto a equipe do atual presidente justificava a falta como uma resposta à dinâmica dos programas, onde o mandatário seria alvo de ataques simultâneos de diversos candidatos. O primeiro turno contou com a participação de nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Precedentes de presidentes em busca da reeleição
A opção por não comparecer a debates televisivos é uma tática política que já foi testada em pleitos anteriores por chefes do Executivo em busca de renovação de mandato. Em 2006, o então presidente Lula optou por não participar dos confrontos no primeiro turno, amparado por uma vantagem confortável nas pesquisas de intenção de voto sobre o segundo colocado, Geraldo Alckmin (PSB, à época no PSDB).
Anos antes, em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também adotou postura semelhante ao ignorar os debates televisionados. Naquela ocasião, a estratégia foi bem-sucedida, com a vitória de FHC consolidada ainda no primeiro turno. O histórico demonstra que, para candidatos com alta exposição ou liderança nas pesquisas, o debate pode ser visto mais como um risco de desgaste do que como uma oportunidade de conquista de eleitores.
O M1 Metrópole segue acompanhando de perto os desdobramentos da corrida presidencial e os bastidores das campanhas. Para se manter informado com análises aprofundadas e notícias apuradas sobre o cenário político nacional, continue acompanhando nossas atualizações diárias e assine nossa newsletter.