O mercado de veículos em São Paulo demonstrou um vigor notável no primeiro semestre de 2026, com o financiamento de automóveis, motos e veículos pesados registrando um aumento de 10% em comparação com o mesmo período de 2025. Este crescimento impulsionou o volume total de vendas financiadas para 973,8 mil unidades no estado, marcando o maior patamar dos últimos oito anos, desde o início do levantamento de dados. A performance paulista reflete uma tendência nacional, onde o setor também experimentou uma expansão significativa, sinalizando um aquecimento do crédito e da confiança dos consumidores.
Os dados, compilados pela Trillia, linha de negócios da B3 especializada em Dados, Analytics e Inteligência Artificial, oferecem um panorama detalhado de um mercado em ascensão, com implicações importantes para a economia e a mobilidade urbana.
Crescimento do financiamento impulsionado por diferentes categorias
A análise detalhada revela que os automóveis leves continuam a ser a força motriz do setor. Essa categoria foi responsável por quase 77% de todas as operações de financiamento no estado, totalizando 749,6 mil financiamentos em 2026. Esse volume representa um crescimento de 8,9% sobre 2025 e estabelece o maior nível desde 2018 para o segmento.
As motocicletas, por sua vez, apresentaram um desempenho ainda mais robusto. Com 188,8 mil unidades financiadas, o segmento registrou um avanço expressivo de 18,3% em relação ao ano anterior, alcançando um recorde histórico na série de levantamentos. Já os veículos pesados, embora tenham tido uma ligeira queda em comparação com 2025, mantiveram-se em um patamar elevado, com 33,2 mil financiamentos, superando os níveis observados entre 2018 e 2022.
Análise de risco e o papel dos dados no crédito
Por trás desses números positivos, há uma evolução na forma como as instituições financeiras operam. Thiago Gaspar, superintendente de Relacionamento com Clientes na Trillia, destaca a importância crescente da análise de dados para um ciclo de crédito mais saudável. “O financiamento cresce com base em informação e análise de risco”, explica Gaspar. “Instituições financeiras têm usado dados mais granulares [detalhados] para avaliar o perfil dos clientes, calibrar prazos e limites e ajustar políticas de concessão, o que contribui para um ciclo de crédito mais saudável em autos leves, motos e pesados.”
Essa abordagem mais sofisticada permite que bancos e financeiras tenham maior previsibilidade, otimizando a concessão de crédito e minimizando riscos, o que, em última instância, beneficia tanto as empresas quanto os consumidores, ao facilitar o acesso ao financiamento de forma mais segura e sustentável.
Preferência por usados e o cenário nacional
Um aspecto interessante do mercado de financiamento é a predominância de veículos usados. Cerca de 70% dos veículos financiados são modelos seminovos ou usados, indicando uma preferência dos consumidores por opções mais acessíveis ou com melhor custo-benefício. A única exceção a essa regra é o segmento de motocicletas, onde o financiamento de motos novas superou o de usadas, refletindo talvez uma demanda por modelos mais recentes ou a entrada de novos compradores no mercado de duas rodas.
A tendência de crescimento observada em São Paulo não é um fenômeno isolado. O levantamento da Trillia aponta que, em nível nacional, o financiamento de veículos também registrou um avanço notável. O Brasil somou 3,78 milhões de unidades financiadas no primeiro semestre de 2026, entre veículos novos e usados, abrangendo autos leves, motos e veículos pesados. Esse volume representa um aumento de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025 e constitui o maior volume para um primeiro semestre desde 2008, quando foram registrados 4,23 milhões de financiamentos.
Prazos estendidos e expansão regional
No acumulado de janeiro a junho de 2026, os veículos usados continuaram a liderar as operações em todo o país, respondendo por 2,38 milhões de unidades financiadas, enquanto os veículos novos somaram 1,39 milhão. Esses números superam os de 2025, que registraram 2,18 milhões de usados e 1,22 milhão de novos, respectivamente, consolidando a força do mercado de seminovos.
Outro dado relevante é o aumento do prazo médio dos contratos de financiamento. Para autos e comerciais leves, o prazo médio passou de 46,3 meses em 2025 para 47,2 meses em 2026. Esse alongamento foi observado em todas as faixas de uso, com destaque para veículos entre 4 e 8 anos, cujo prazo médio subiu de 50,0 para 51,3 meses, e para os modelos de 0 a 3 anos, que passaram de 49,4 para 51,6 meses. Isso sugere que os consumidores estão buscando parcelas menores, mesmo que isso signifique um compromisso financeiro por mais tempo.
O crescimento do financiamento de veículos foi disseminado por todas as regiões do país. O Centro-Oeste liderou a alta, com 13,1%, seguido pelo Nordeste (12,6%), Sul (11,2%), Sudeste (10,6%) e Norte (4,4%). Em termos de volume total financiado entre janeiro e junho de 2026, o Sudeste manteve sua posição de destaque, concentrando 42,1% das operações, seguido pelo Sul (20,0%), Nordeste (19,6%), Centro-Oeste (10,8%) e Norte (7,5%), reforçando a importância econômica dessas regiões para o setor automotivo.
O cenário de crescimento no financiamento de veículos, tanto em São Paulo quanto no Brasil, aponta para um mercado dinâmico e resiliente, impulsionado por uma combinação de demanda do consumidor e estratégias de crédito mais refinadas. Para continuar acompanhando as tendências e os desdobramentos desse e de outros setores que impactam sua vida e seu bolso, mantenha-se conectado ao M1 Metrópole. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, com a credibilidade que você espera de um portal de notícias de grande audiência.