A 11ª edição do festival Churrascada, realizada no último sábado (1º), consolidou-se como um ponto de encontro fundamental para a cultura do assado. Com o tema “Churrasco sem Fronteiras”, o evento reuniu técnicas, ingredientes e tradições que atravessam o continente americano, reafirmando que o preparo de carnes no fogo é uma linguagem universal, adaptada conforme a identidade de cada região.
O encontro ocupou a Casa das Retortas, um marco histórico de São Paulo que já foi um complexo industrial de gás a partir do carvão. O ambiente, que preserva a arquitetura original, recebeu mais de 3.000 visitantes. O público circulou entre 28 estações gastronômicas comandadas por especialistas, em uma experiência que mesclou gastronomia, música e intercâmbio cultural.
A fusão de técnicas internacionais na brasa
Um dos pontos altos do evento foi a presença do chef Esaul Ramos, proprietário da 2M Smokehouse, no Texas. Reconhecido pelo Guia Michelin, Ramos apresentou uma fusão entre o estilo de defumação texano e suas raízes mexicanas. O destaque foi o short ribs angus, defumado por 16 horas, que conquistou o público pela maciez e pela crosta intensa, equilibrada pelo frescor de um clássico coleslaw.
A diversidade de preparos também incluiu a culinária peruana, trazida pela chef Paula Labaki, da Fazenda Churrascada. Ela apresentou os tradicionais anticuchos de corazón, feitos com coração bovino marinado e grelhado em fogo alto. Já a estação da Fatz Delícias atraiu filas constantes com o döner kebab, o popular “churrasco grego”, servido em pão naan com toques de vinagrete, demonstrando a força das influências turcas no paladar brasileiro.
Valorização da origem e o papel do congresso
Além das inovações, o festival reservou espaço para o resgate histórico. Marcus Levy comandou uma estação dedicada ao churrasco tradicional gaúcho, utilizando fogo de chão e espetos de pau. O cenário remeteu às origens do assado no Sul do Brasil, lembrando que a técnica precede as modernas parrillas e pits de defumação, conectando o público com as raízes rurais do país.
O evento também se destacou pelo olhar atento aos vegetais. A Agro Bonfim, sob o comando de Écio, provou que o fogo não é exclusividade das carnes. Com pratos como ceviche de melão, caju e maracujá, além de cogumelos e legumes na brasa, a estação mostrou que a gastronomia de fogo pode ser versátil e inclusiva.
Para profissionais do setor, o festival transcendeu o entretenimento. Segundo Cris Mendes, sócia da plataforma A Voz do Churrasco, o evento funciona hoje como um verdadeiro congresso. “É onde assadores, frigoríficos e marcas se encontram para trocar conhecimento, discutir tendências e fortalecer o setor”, pontua. A união entre tradição e inovação, vista na Casa das Retortas, sinaliza que o mercado de churrasco no Brasil continua em plena expansão e profissionalização.
Continue acompanhando o M1 Metrópole para se manter informado sobre os principais eventos gastronômicos, culturais e as tendências que movimentam o cenário nacional. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura aprofundada, com credibilidade e o olhar atento aos fatos que marcam o cotidiano.