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Emendas parlamentares destinam mais verbas para material de escritório do que para aparelhos médicos

Emendas parlamentares destinam mais verbas para material de escritório do que para aparelhos médicos
24.abr.25/Folhapress

Prioridades na gestão da saúde pública

As emendas parlamentares de investimento na saúde brasileira têm revelado uma distorção significativa na aplicação dos recursos destinados à Atenção Primária à Saúde (APS). Segundo um boletim recente do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), o montante repassado via emendas em 2025 foi aplicado majoritariamente em itens de infraestrutura e mobiliário, superando o investimento em equipamentos médicos essenciais para o atendimento direto à população.

Os dados do relatório indicam que 65,7% dos equipamentos financiados por emendas individuais no período — totalizando 62.788 de um universo de 95.598 itens — enquadram-se na categoria de infraestrutura e material de escritório. Em contrapartida, equipamentos de saúde de baixo custo, como eletrocardiógrafos, representaram apenas 27,9% do total de itens adquiridos.

O peso da infraestrutura básica

A análise financeira do Ieps reforça esse cenário. Do montante de R$ 491 milhões destinados à APS, cerca de R$ 113,9 milhões (23%) foram direcionados para infraestrutura, enquanto apenas R$ 12% (R$ 58,8 milhões) foram aplicados em equipamentos clínicos de baixo custo. O maior volume de gastos, contudo, concentrou-se na compra de veículos, que absorveu 54% do total investido, alcançando R$ 263,5 milhões.

Para Marcella Semente, especialista em relações institucionais do Ieps e coautora do estudo, a predominância de gastos com veículos e mobiliário não reflete necessariamente uma má gestão local. Pelo contrário, a especialista aponta que esses números são um sintoma do subfinanciamento crônico da rede, revelando que muitas unidades de saúde do país ainda carecem de condições básicas, como computadores, cadeiras e climatização, para operar adequadamente.

Desigualdade na distribuição regional

Além da natureza dos gastos, o estudo destaca a falta de critérios de equidade na distribuição desses recursos entre os municípios brasileiros. Entre 2023 e 2025, a disparidade foi evidente: enquanto municípios como Praia Norte (TO) receberam R$ 1.577 per capita, cidades como Paulista (PE) e Maracanaú (CE) contaram com apenas R$ 0,40 per capita, um valor drasticamente inferior à média nacional de R$ 89,07.

A análise regional mostra que o Centro-Oeste liderou o recebimento de verbas, com 85% de seus municípios contemplados. Em contraste, as regiões Norte (63%) e Nordeste (59%) ocuparam as últimas posições, apesar de serem áreas historicamente mais dependentes de transferências da União para a manutenção de serviços básicos. Segundo Semente, a ausência de uma regra legal que obrigue a repartição proporcional dos recursos permite que a alocação seja definida conforme a escolha individual do parlamentar, ignorando necessidades regionais mais urgentes.

O M1 Metrópole segue acompanhando os desdobramentos sobre a aplicação de verbas públicas e o impacto das emendas parlamentares no cotidiano da população. Continue conosco para se manter informado sobre as políticas que moldam o futuro do SUS e os principais debates que movimentam o cenário nacional.

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