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Ministério da Saúde regulamenta preço confidencial para baratear remédios de alto custo no SUS

Ministério da Saúde regulamenta preço confidencial para baratear remédios de alto custo no SUS
24.ago.20/Folhapress

O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, publicou nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, uma portaria que estabelece as regras para a negociação de descontos confidenciais na compra de medicamentos de alto custo. A medida, que visa otimizar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS), é vista como um passo crucial para aliviar a crescente pressão orçamentária enfrentada pela pasta, especialmente com os pedidos judiciais que, em 2026, devem consumir cerca de R$ 2,5 bilhões.

A expectativa do governo Lula é que este novo mecanismo, conhecido como “desconto silenciado” ou “compra silenciada”, possa gerar uma redução de pelo menos 50% nos valores inicialmente ofertados pelos fabricantes. Essa estratégia busca garantir acesso a tratamentos essenciais sem comprometer a sustentabilidade financeira do sistema público de saúde, um desafio constante em um país de dimensões continentais como o Brasil.

O Mecanismo do Preço Confidencial e Sua Operacionalização

A portaria recém-publicada formaliza a criação de um comitê específico, responsável por conduzir as negociações desses descontos. A dinâmica é clara: enquanto o preço inicial submetido à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) permanecerá público, o sigilo será mantido nas etapas subsequentes da negociação. A Conitec, órgão que avalia a inclusão de novas tecnologias no sistema, será informada pelo comitê sobre o progresso das tratativas dentro dos parâmetros pré-estabelecidos.

Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde da pasta, explicou que, embora o trabalho não comece em um modelo piloto, a primeira negociação servirá como um balizador importante para as futuras aquisições. A intenção é que o comitê seja acionado pela Conitec ou por outras secretarias do Ministério da Saúde que lidam diretamente com as políticas de saúde e a utilização dessas tecnologias.

Impacto Esperado e Foco nos Desafios da Oncologia

A busca por descontos significativos é uma resposta direta à necessidade de otimizar o uso dos recursos públicos. A secretária Fernanda De Negri destacou que os medicamentos oncológicos representam um dos maiores desafios para o ministério, dada a complexidade e o alto custo desses tratamentos. A nova portaria é vista como uma ferramenta para superar essas dificuldades, embora a efetividade dependa da ativação do comitê e da disposição dos fornecedores em negociar.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, manifestou a expectativa de que o comitê possa intermediar uma negociação de preço de alto custo ainda neste ano. A agilidade na implementação e nos resultados será crucial para demonstrar a eficácia do novo modelo e sua capacidade de gerar economia real para o SUS, beneficiando milhões de brasileiros que dependem desses tratamentos.

Critérios Rigorosos para a Negociação Sigilosa

Para que o procedimento de preço confidencial seja adotado, a portaria estabelece seis requisitos mandatórios. Tais critérios visam assegurar que a medida seja aplicada de forma estratégica e justificada, evitando o uso indiscriminado e garantindo a transparência necessária dentro dos limites do sigilo comercial:

  • A tecnologia deve ser de alto custo.
  • O medicamento precisa estar protegido por patente ou ter fornecedor único.
  • Deve possuir relevância estratégica para o SUS.
  • É fundamental que tenha relevância sanitária para a saúde pública.
  • É necessária uma justificativa técnica para a adoção da medida.
  • Deve ser demonstrado que o Estado pode ter prejuízo caso a confidencialidade não seja adotada.

Quando esses critérios são atendidos, os preços líquidos negociados, os descontos concedidos, os rebates, as bonificações e as demais condições econômicas pactuadas poderão ser objeto de restrição de acesso à informação. Essa proteção é fundamental para que os valores negociados não sejam utilizados como referência em outros processos de compra, o que poderia minar a capacidade de barganha do governo em futuras aquisições.

Segurança Jurídica e o Futuro das Aquisições no SUS

A implementação do mecanismo de preço confidencial foi cuidadosamente avaliada do ponto de vista jurídico. Inicialmente, o Ministério da Saúde considerou a necessidade de alterações legais para viabilizar as negociações com restrição de acesso à informação. No entanto, a Advocacia Geral da União (AGU) concluiu que a criação do mecanismo poderia ser feita apenas por meio de uma portaria, conferindo segurança jurídica à iniciativa.

Esta decisão simplifica o processo e agiliza a implementação de uma política que tem o potencial de transformar a forma como o SUS adquire medicamentos caros. A negociação sigilosa é vista como uma ferramenta poderosa para evitar que os preços fechados em uma transação sejam usados como referência em outras, garantindo que o poder público possa sempre buscar as melhores condições para a população. Para mais informações sobre as políticas de saúde pública no Brasil, consulte o site oficial do Ministério da Saúde.

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