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Eleições 2026: Infraestrutura exige juros baixos e mais investimento público

Eleições 2026: Infraestrutura exige juros baixos e mais investimento público

Às vésperas do segundo turno das Eleições 2026, que definirá o próximo presidente entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o setor de infraestrutura mantém sua atenção voltada para dois pontos cruciais: a persistência dos juros altos e a necessidade de maior espaço no Orçamento público para o financiamento de obras essenciais. Representantes de grandes empresas e especialistas da área, em conversas com a imprensa, indicam que, embora o modelo de concessões esteja consolidado e deva seguir adiante, a expansão dos investimentos depende intrinsecamente de um custo de crédito mais acessível e de uma participação mais robusta do Estado.

A expectativa é de continuidade nas políticas de concessão, independentemente do resultado nas urnas, mas a capacidade de alavancar novos projetos e alcançar patamares de investimento que o país necessita esbarra em desafios financeiros e contratuais. O cenário eleitoral, portanto, é acompanhado de perto por um setor que busca estabilidade e condições favoráveis para o desenvolvimento de projetos de longo prazo, vitais para o crescimento econômico e social do Brasil.

Continuidade das concessões e o desafio dos juros altos

O programa de concessões, que tem sido a espinha dorsal dos investimentos em infraestrutura no Brasil, é visto como uma política de Estado, e não de governo, por líderes do setor. Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, que congrega algumas das maiores empresas da área, ressalta que o modelo se consolidou e tem atravessado gestões de diferentes orientações políticas. A projeção é que os investimentos no setor atinjam cerca de R$ 300 bilhões neste ano, com a maior parte, 84%, proveniente do capital privado.

Contudo, essa continuidade não minimiza os obstáculos impostos pelo cenário econômico. O custo do crédito, em particular a taxa básica de juros (Selic), emerge como a principal preocupação. “É difícil financiar qualquer coisa, especialmente infraestrutura de longo prazo, com uma taxa de juros alta como a gente tem hoje”, afirma Glanzmann. A especialista Isadora Cohen, sócia da ICO Consultoria, corrobora essa visão, enfatizando que a redução da Selic é fundamental e está diretamente ligada à atenção que o próximo governo dará às contas públicas. Para entender mais sobre a taxa básica de juros, consulte o Banco Central do Brasil.

A necessidade de capital público para impulsionar a infraestrutura

Apesar da força do capital privado, há um consenso crescente de que ele, sozinho, não será suficiente para atender à demanda por novos projetos de infraestrutura. Glanzmann argumenta que o Brasil precisa elevar o investimento no setor para algo entre 4% e 4,5% do PIB, muito acima dos atuais 2% a 2,2%. Para atingir essa meta, a combinação de recursos privados e públicos torna-se imperativa.

As ferrovias, por exemplo, um segmento com grande potencial para futuras concessões, ilustram essa dependência. A construção de cada quilômetro de ferrovia no Brasil pode custar cerca de R$ 30 milhões, um montante que exige múltiplas fontes de financiamento para se viabilizar. O equilíbrio fiscal do governo, além de impactar os juros, também abriria espaço para o aporte direto de recursos orçamentários em projetos estratégicos, garantindo a concretização de obras de grande porte e impacto.

Equilíbrio fiscal, disputas contratuais e distinções políticas

A estabilidade fiscal é, portanto, um pilar para a atração de investimentos e para a viabilidade dos projetos. Mauricio Portugal, consultor especializado em infraestrutura, reforça que a eleição não deve representar uma ruptura no programa de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs), citando a perenidade observada em diferentes governos. Ele, no entanto, distingue claramente as concessões das privatizações, estas últimas mais suscetíveis às mudanças de orientação política entre os candidatos.

Outro ponto de atenção levantado por Isadora Cohen são os pleitos de revisões e reequilíbrio financeiro que se acumulam nos contratos. O próximo governo terá o desafio de oferecer respostas céleres a essas demandas e fortalecer as agências reguladoras e estruturas de governança. Essa agilidade e transparência são cruciais para manter o apetite e o compromisso dos investidores privados, que buscam segurança jurídica e previsibilidade em seus empreendimentos de longo prazo.

A pauta ambiental e o futuro do financiamento verde

A área ambiental, um dos campos onde as visões de Lula e Flávio Bolsonaro mais se distanciam, também tem implicações diretas para o setor de infraestrutura. Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), aponta que o financiamento de medidas de mitigação das mudanças climáticas tem se apoiado em instrumentos de dívida e recursos públicos para atrair empresas.

Em um eventual governo Lula, a expectativa é de consolidação desses instrumentos de financiamento, com maior espaço para a participação da sociedade civil no debate e formulação de políticas públicas. Já sob uma gestão Flávio Bolsonaro, Cardoso prevê a manutenção ou expansão dos mecanismos de mercado, mas com o risco de enfraquecimento das estruturas de proteção ambiental e a redução dos espaços de participação social, o que poderia impactar a sustentabilidade e a aceitação de certos projetos de infraestrutura.

O futuro da infraestrutura brasileira, crucial para o desenvolvimento do país, permanece sob os holofotes, com o setor aguardando definições claras sobre as políticas econômicas e ambientais do próximo governo. Para continuar acompanhando de perto os desdobramentos dessas discussões e ter acesso a análises aprofundadas sobre este e outros temas relevantes, mantenha-se conectado ao M1 Metrópole. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, contextualizada e que realmente importa para você.

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