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Padre Júlio Lancellotti enfrenta denúncia por quitar ação judicial com verba da paróquia

11.jan.24/Folhapress
11.jan.24/Folhapress

Uma denúncia recente trouxe à tona questionamentos sobre a gestão financeira da Paróquia de São Miguel Arcanjo, na Mooca, em São Paulo, e o uso de seus recursos. O centro da controvérsia é o Padre Júlio Lancellotti, conhecido por sua atuação incansável em defesa das pessoas em situação de rua e por sua voz ativa em questões sociais. Ele é acusado de ter utilizado dinheiro da igreja para cobrir despesas relacionadas a um processo judicial pessoal.

A acusação, que ganhou repercussão, levanta debates sobre a transparência e a destinação dos fundos paroquiais, especialmente quando envolve figuras públicas com grande engajamento social. A Arquidiocese de São Paulo já recebeu a representação e indicou que o caso será devidamente analisado, prometendo uma apuração rigorosa dos fatos.

Detalhes da acusação contra Padre Júlio Lancellotti

A representação canônica contra o Padre Júlio Lancellotti foi formalizada pelo vereador Thomaz Henrique (PL), de São José dos Campos. Segundo a denúncia, o pároco teria movimentado a conta da Paróquia de São Miguel Arcanjo para quitar duas guias de Dare (Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais) no ano passado. Os valores mencionados são de R$ 450, pagos em fevereiro, e R$ 1.200, quitados em novembro.

Os comprovantes bancários dessas transferências, que supostamente ligam os pagamentos à conta da paróquia, foram anexados pelo vereador à denúncia encaminhada à Arquidiocese de São Paulo. A alegação central é que esses valores não seriam referentes a despesas da igreja, mas sim a custas de um processo judicial movido pelo próprio padre.

O contexto da ação judicial em questão

As despesas que teriam sido pagas com o dinheiro da paróquia referem-se a um processo que o Padre Júlio Lancellotti moveu contra a vereadora Janaina Ballaris (União Brasil), de Praia Grande. A ação, iniciada em 2024, tinha como base acusações de calúnia e difamação, com o padre solicitando uma indenização de R$ 30 mil por danos morais.

A controvérsia judicial surgiu após uma entrevista em que a vereadora associou o trabalho do padre a um “assistencialismo midiático”. No entanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou o pedido de indenização, o que significa que o padre não obteve ganho de causa na instância inicial. A denúncia do vereador Thomaz Henrique, portanto, se concentra na origem dos fundos utilizados para as custas processuais, independentemente do resultado final da ação.

A posição da Arquidiocese e a repercussão do caso

A Arquidiocese de São Paulo confirmou o recebimento da “representação canônica” na sexta-feira, 8 de maio. Em nota oficial, a instituição informou que “Seu conteúdo será analisado oportunamente pelas instâncias competentes da Arquidiocese de São Paulo”. Esta declaração indica que um processo interno de verificação e apuração será iniciado para averiguar a veracidade das acusações e a conformidade com as normas eclesiásticas.

Procurado pela coluna na mesma tarde, o Padre Júlio Lancellotti declarou que “não tinha conhecimento dos fatos”. Sua manifestação inicial sugere que ele não estava ciente dos pagamentos ou da origem dos recursos utilizados. A repercussão do caso é significativa, dada a projeção nacional do padre e a sensibilidade do tema envolvendo o uso de recursos de uma instituição religiosa. A comunidade e os fiéis aguardam os desdobramentos da análise da Arquidiocese, que poderá trazer mais clareza sobre a situação.

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